Se os planos de saúde não reajustarem os honorários médicos, esses profissionais podem deixar de atender pelas operadoras. Essa é a opinião de representantes das principais entidades médicas nacionais, que marcaram para esta quinta-feira (7) uma paralisação em todo o país para protestar contra as seguradoras de saúde.
De acordo com Cid Carvalhaes, presidente da Fenam (Federação Nacional dos Médicos), a possibilidade de descredenciamento em massa existe e já tem acontecido em alguns lugares.
– Se chegarmos a uma situação de absoluta intolerância das operadoras, não nos restará outra alternativa.
Para Hermann Alexandre von Tiesenhausen, conselheiro federal de medicina, a mobilização dos médicos podem recorrer ao descredenciamento com um opção no futuro.
– Num primeiro momento não pensamos nisso. A paralisação é um alerta para chamar atenção da população, mas outras estratégias podem ser adotadas, e pode até ser essa (o descredenciamento).
Foi o que ocorreu no final de fevereiro na cidade de Ivaiporã, no interior do Paraná, onde os 40 médicos do município pediram individualmente o desligamento dos planos.
Apesar disso, Caravalhaes e Tiesenhausen concordam que a melhor estratégia para chegar a um acordo com as operadoras ainda é “perseguir o caminho do diálogo”.
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e a Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar, que reúne 15 operadoras) não possuem nenhuma informação a respeito do descredenciamento em massa de médicos.
A Fenam, o CFM e a AMB (Associação Médica Brasileira) são as entidades que encabeçam a paralisação dos médicos de planos de saúde. As atividades mais afetadas serão os atendimentos em consultórios e clínicas particulares.
Já os hospitais que atendem pelas operadoras devem manter funcionando apenas os serviços de urgência e emergência. De acordo com a ANS, cirurgias não emergenciais, consultas, exames e internações deverão ser remarcados pelas operadoras. Caso contrário, essas empresas poderão ser multadas.
Uma das principais criticas dos médicos é o baixo valor pago pelas operadoras. Em São Paulo, a administradora de uma clínica especializada em doenças metabólicas e hormonais – que preferiu não divulgar o nome – afirmou ao R7 que o valor médio que um plano de saúde paga por uma consulta é de R$ 42,05. Já “o valor das consultas particulares gira em torno de R$ 300 no mercado”.
O conselheiro do CFM ressalta, no entanto, que o movimento não é exclusivo para pedir reajuste dos honorários médicos. Segundo Tiesenhausen, a paralisação também serve para alertar contra a interferência dos planos na autonomia dos médicos.
– Eu não posso ficar restrito a um plano que me diz se posso ou não pedir um exame.