A maioria dos universitários no mundo é formada por mulheres, segundo um estudo divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no final de outubro. As estudantes de ensino superior, que são 77,3 milhões em todo o globo, passaram os homens em 2,2 milhões – eles são 75,1 milhões de alunos em faculdades.
Percentualmente, elas equivalem a 51% do total de matrículas em nível universitário. Os dados são de 2007 e mostram a inversão de uma tendência surgida na primeira vez que a pesquisa foi realizada, em 1990. Naquela época, havia 30,5 milhões de mulheres na universidade, 6 milhões a menos do que os 36,4 milhões de homens matriculados.
A maior variação ocorre nos Estados Unidos e na União Europeia, onde elas são 19,6 milhões nas universidades (56% do total), contra 15,2 milhões de homens no ensino superior. Na América Latina e no Caribe, o sexo feminino responde por 54% das matrículas nas universidades – a diferença entre os sexos chega a 1,5 milhão.
Professora titular da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), Selma Garrido Pimenta diz não estar surpresa. Para ela, os números divulgados pela ONU são consequência do aumento da presença das mulheres tanto nos bancos escolares quanto no mercado de trabalho, um processo que se acelerou no Ocidente desde a década de 1960.
– O avanço da sociedade de consumo desde a metade do século 20 fez os homens perderem poder de compra, principalmente se pensarmos na América Latina. Os salários aumentaram, mas eles não são suficientes para adquirir as mesmas coisas que antes. Então, cada vez mais as mulheres trabalham fora, não necessariamente porque recuou o machismo, mas porque elas passaram a ter importância fundamental na renda familiar.
Nos últimos 20 anos, a participação das mulheres entre 25 e 54 anos no mercado de trabalho aumentou. A América do Sul foi a região que apresentou a mudança mais expressiva – elas estão 11% mais presentes no mercado, considerando o intervalo de tempo. Países do Caribe e da América Central estão logo atrás dos vizinhos. Eles tiveram um aumento de 6% e 7% respectivamente na participação das mulheres no mercado de trabalho.