A poluição do ar causa mais infarto em uma cidade grande do que a cocaína. A constatação faz parte de um estudo publicado em fevereiro deste ano na revista britânica The Lancet, uma das mais prestigiadas no mundo na área médica.
O estudo levou em consideração o fato de que a poluição do ar atinge a todos, enquanto que a cocaína é usada por menos de 0,1% da população mundial. Além disso, foram cruzados dados do risco de um determinado fator para o coração e a exposição a ele sofrida pela população.
Pelos critérios da pesquisa, o principal fator de risco é a exposição ao tráfego, que, baseado em modelos matemáticos, seria o causador de 7,36% dos problemas no coração. A exposição ao ar poluído com 30 microgramas de material particulado por metro cúbico de ar causa 4,76% dos infartos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que o ar fica poluído com 50 microgramas de material particulado por metro cúbico de ar. São Paulo atualmente considera que o ar fica poluído apenas quando atinge o triplo desse índice.
Para Evangelina Vormittag, diretora do instituto Saúde e Sustentabilidade (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público cujo objetivo é a promoção da saúde), o estudo publicado na revista The Lancet reforça a importância da cidade em ter critérios mais rígidos na medição da poluição.