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Quase 600 faculdades limitam acesso de alunos ao Fies

Ao menos metade (575) das 1.150 instituições de ensino no Fies contratam uma certa verba no início do ano

Estudantes só conseguem entrar no Fies para certos cursos, que têm mensalidade mais baixa -
Estudantes só conseguem entrar no Fies para certos cursos, que têm mensalidade mais baixa -

O governo federal ainda encontra dificuldades para expandir o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). Uma delas é a não adesão das faculdades particulares ao financiamento total para alunos interessados.

Ao menos metade (575) das 1.150 instituições de ensino no Fies contratam uma certa verba no início do ano, e só aceitam alunos até o limite dos recursos combinados com o governo.

Antônio Corrêa Neto, diretor financeiro do FNDE (fundo responsável pela linha de financiamento). Ele dá um exemplo: a faculdade contrata R$ 50 mil ao ano pelo Fies. Se um aluno de medicina cuja mensalidade custa R$ 3.500 adere ao financiamento, ele vai usar R$ 42 mil da verba anual do crédito da faculdade. Neste caso, a instituição só poderia financiar outro estudante em R$ 8.000, ou seja, a soma das mensalidades não poderia passar esse valor.

Dessa forma, várias universidades preferem limitar o valor total a ser financiado, afirma Corrêa Neto – por exemplo, estudantes só conseguem entrar no Fies para certos cursos, que têm mensalidade mais baixa.

Outra hipótese de restrição é dar o financiamento por um tempo menor do que a duração total do curso.

– A metade das instituições [que adere ao Fies] coloca um teto no valor do financiamento.
Aumentar o número de universidades participantes no Fies e reduzir de 25% para 5% a inadimplência são os outros desafios que estão na mesa de discussão do MEC (Ministério da Educação). Segundo o diretor do FNDE, até outubro estavam listadas pelo MEC 1.473 instituições de ensino superior particulares pelo Brasil, mas só 1.150 aderiram ao Fies.

– A meta é trazer 100% para o programa.

O governo pretende que não apenas todas as particulares contratem a linha de crédito, mas também que aceitem estudantes a qualquer momento do curso e independentemente do valor da mensalidade.

Conquistar o departamento financeiro das universidades implica em outra missão: conseguir com que elas depositem uma verba no Fgeduc, o fundo mantenedor da linha de crédito que permite que os estudantes passem a obter crédito sem precisar de fiador.

 Uma das universidades que não abrem todos os cursos para o Fies é a Estácio de Sá; ela libera 85% dos cursos para serem pagos via financiamento. Mesmo assim, a linha de crédito fez sucesso: mais da metade dos alunos que entrou em 2010 – isto é, após as mudanças na taxa de juros, em janeiro deste ano – pagavam a mensalidade pelo Fies.

A Estácio também informou que os dez cursos com o maior número de alunos dentro do programa de financiamento são direito, enfermagem, fisioterapia, medicina, administração, educação física, nutrição, comunicação social, sistemas de informação e ciências contábeis.