
Mais da metade dos universitários brasileiros com dívidas já precisou cortar gastos básicos, como alimentação, transporte e contas domésticas, para conseguir pagar a mensalidade do curso. O dado faz parte de uma pesquisa da Serasa e expõe um cenário de aperto financeiro que compromete a permanência dos estudantes no ensino superior.
Segundo a educadora financeira Mônica Seabra, o início do ano tende a agravar a situação, já que despesas fixas se acumulam e muitas famílias ainda lidam com reflexos do desemprego registrado em anos anteriores.
“As pessoas não deixam de pagar porque querem, mas porque não conseguem. As contas básicas acabam sendo prioridade”, afirma.
A pesquisa aponta o desemprego como o principal fator do endividamento entre universitários. Mesmo com a melhora recente nos índices do mercado de trabalho, muitos estudantes ainda carregam dívidas acumuladas, o que dificulta a reorganização financeira e a continuidade dos estudos.
Além do impacto no orçamento, a inadimplência também afeta a saúde mental. De acordo com a especialista, problemas financeiros estão entre os principais fatores de estresse. “A preocupação com dívidas interfere no sono, na concentração e no desempenho acadêmico”, diz.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário acompanha a tendência nacional. Mais de 71 mil consumidores com dívidas estudantis podem se beneficiar das ações de renegociação. Ao todo, estão previstas 186.920 ofertas no estado, com condições facilitadas para que estudantes regularizem seus débitos junto a instituições de ensino parceiras da Serasa e consigam retomar ou dar continuidade à vida acadêmica.
Para quem já está endividado, a orientação é encarar a situação de forma organizada. “O primeiro passo é saber exatamente quanto se deve, para quem se deve e o que cabe no orçamento. Renegociar é fundamental”, explica Mônica Seabra. Programas como o Feirão Limpa Nome oferecem parcelamentos facilitados e descontos, ajudando o estudante a regularizar a situação.
A educadora ressalta que o processo exige paciência e disciplina. “Endividar-se é rápido, mas se reorganizar leva tempo. É preciso priorizar o essencial e evitar novos compromissos financeiros até colocar a casa em ordem”, conclui.