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Audiência no Senado alerta para impactos do eucalipto e falta de planejamento

Aumento dos aluguéis, riscos ambientais e necessidade de planejamento urbano no Vale da Celulose foram temas de debate

 O prefeito de Inocência, Antônio ângelo citou casos em que imóveis que antes custavam entre R$ 800 e R$ 2 mil passaram a ser ofertados por valores que chegam a R$ 20 mil.(Foto: Divulgação)
O prefeito de Inocência, Antônio ângelo citou casos em que imóveis que antes custavam entre R$ 800 e R$ 2 mil passaram a ser ofertados por valores que chegam a R$ 20 mil.(Foto: Divulgação)

A Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) do Senado debateu, nesta semana, os efeitos do avanço econômico e populacional no Vale da Celulose, conjunto de 11 municípios do Mato Grosso do Sul, que reúne grandes investimentos no setor de celulose e papel.


A expansão do setor de base florestal e a instalação de grandes empreendimentos industriais trouxeram desenvolvimento, mas também desencadearam desafios sociais, urbanos e ambientais na região. Entre os principais pontos abordados estão o aumento expressivo no preço dos aluguéis, a pressão sobre a infraestrutura urbana, riscos ambientais diante da expansão do plantio de eucalipto e a necessidade urgente de planejamento territorial.


O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), responsável pela solicitação da audiência, destacou que o crescimento é bem-vindo, mas exige organização para evitar agravamento de problemas sociais e até de saúde pública causados pela migração de trabalhadores para os municípios do entorno das fábricas. “Entre os desafios estão a pressão sobre recursos naturais, como a água e o solo, a ocupação intensiva de áreas rurais e os impactos sobre comunidades locais e cadeias produtivas tradicionais, como a agricultura familiar. Além disso, há preocupações quanto à logística, infraestrutura e à necessidade de qualificação profissional local para atender às demandas do setor”, destacou o senador.


O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo, relatou que a alta demanda habitacional tem provocado uma escalada nos valores dos aluguéis, tornando inviável para muitas famílias permanecer no município. Ele citou casos em que imóveis que antes custavam entre R$ 800 e R$ 2 mil passaram a ser ofertados por valores que chegam a R$ 20 mil. Segundo o prefeito, moradores têm deixado a cidade por não conseguirem arcar com as novas despesas.


O setor produtivo também foi representado no debate. José Carlos da Fonseca, diretor da Indústria Brasileira de Árvores Cultivadas (IBÁ), enfatizou a relevância da atividade para o comércio internacional. Ele lembrou que a qualidade da celulose de eucalipto produzida no Brasil é estratégica para grandes marcas globais de papel, o que contribui para a competitividade do país mesmo diante de crises comerciais, como a tensão tarifária envolvendo os Estados Unidos nos últimos anos.


Do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, Edgar Caetano, alertou para riscos ambientais associados à expansão acelerada das plantações de eucalipto. Segundo ele, a falta de manejo sustentável pode comprometer a biodiversidade, afetar a fauna e reduzir áreas destinadas à produção agrícola e à conservação de biomas importantes no Mato Grosso do Sul.


Já Cristiana Scorza, diretora do Departamento de Estruturação do Desenvolvimento Urbano do Ministério das Cidades, reforçou que os municípios precisam atualizar e fortalecer seus planos diretores diante do crescimento acelerado. Para ela, o ordenamento territorial é essencial para equilibrar desenvolvimento econômico e qualidade de vida, além de auxiliar as prefeituras a se prepararem para novas demandas.


Ao final, o senador Nelsinho Trad ressaltou que o momento é de oportunidades, mas também de cautela. Ele citou impactos na saúde pública, como o ressurgimento de doenças sexualmente transmissíveis e viroses em cidades pequenas que passaram a receber grande fluxo de trabalhadores. Trad defendeu que planejamento urbano, oferta de moradia e ações integradas entre governos e empresas são fundamentais para evitar que os avanços econômicos tragam consequências negativas para a população.