
Com o passar dos anos, a medicina avançou em diferentes frentes, e a saúde mental passou a ocupar lugar de destaque. Nesse cenário, crianças e adolescentes também passaram a integrar esse debate.
O que ainda passa despercebido é que eles sofrem pressões psicológicas diárias. Cobranças por comportamento, organização e desempenho muitas vezes anulam o direito de simplesmente ser criança. Situações antes tratadas como “manha” ou “birra” hoje recebem avaliação, diagnóstico e acompanhamento profissional.
A dentista Poliana Rocha vivenciou essa realidade de perto. Trabalhando 12 horas por dia, percebeu que o distanciamento afetava o filho, Natan, gerando sobrecarga emocional e enfraquecimento do vínculo entre mãe e filho.
“Era difícil perceber que eu não estava conseguindo lidar com ele. Para se sentir amado, aceitava bullying e até agressões. A gente só entende o sofrimento quando os sinais ficam claros”, relatou.
A busca por ajuda profissional resultou no diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
“A gente se prepara para ser mãe, mas não para ser uma mãe atípica. A partir disso, passamos a cuidar melhor da saúde mental do Natan. Entender o que ele enfrenta mudou nossa relação”, afirmou.
A psicóloga Gesiane Miyashiro reforça que a saúde mental infantojuvenil exige atenção contínua.
“Os sinais aparecem aos poucos, como isolamento, irritabilidade e perda de interesse. Nem sempre são mudanças bruscas, mas precisam ser observadas”, explicou.
Segundo ela, acompanhamento profissional é essencial para um desenvolvimento saudável.