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Ataque dos EUA à Venezuela preocupa venezuelanos que vivem em MS

Estado abriga cerca de 12 mil imigrantes; líder de associação em Campo Grande relata medo e tensão entre famílias

Bombardeio em Caracas, na Venezuela (Foto: Reprodução/ Agência Brasil)
Bombardeio em Caracas, na Venezuela (Foto: Reprodução/ Agência Brasil)

O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um ataque em larga escala à Venezuela gerou apreensão entre venezuelanos que vivem em Mato Grosso do Sul, onde moram cerca de 12 mil imigrantes do país, segundo estimativa da Associação Venezuelana em Campo Grande (AVCG). Só na Capital do estado são cerca de cinco mil pessoas.

Em publicação nas redes sociais neste sábado (3), Trump afirmou que forças norte-americanas realizaram uma ofensiva por vias aérea e terrestre, atingindo Caracas e outras cidades. O presidente dos EUA declarou que a operação teria resultado na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido retirados do país.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, escreveu Trump. Ele afirmou ainda que mais detalhes seriam apresentados em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.

A presidente da AVCG, Mirtha Carpio, disse que a notícia foi recebida com sentimentos mistos pela comunidade.

“Nosso sentimento é de esperança, mas também de muita preocupação. Levar só o Maduro e a esposa não é suficiente. Ficaram os piores”, afirmou.

Segundo Carpio, há temor em relação a lideranças políticas e militares que permaneceriam no país. “Eles têm controle de cerca de 2.000 soldados, entre eles pessoas que já foram presas e têm má reputação”, disse.

A líder comunitária relatou ainda preocupação com familiares que permanecem na Venezuela. “Tenho parentes, sim, a maioria fora de Caracas. Todos estão preocupados, mas dentro de casa”, afirmou.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque como “vil e covarde”. Ele também pediu apoio da comunidade internacional.

Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. Nos últimos meses, bombardeios norte-americanos a embarcações no Caribe foram registrados, segundo o governo dos EUA. O presidente venezuelano, por sua vez, nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política, além de pedir apoio a organismos internacionais.