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RECORDE DE EXPORTAÇÕES EM 2025

Exportações de MS batem recorde e somam US$ 10,7 bi em 2025

Exportações de Mato Grosso do Sul alcançam US$ 10,7 bilhões em 2025, com celulose na liderança e China como principal destino.

Contêineres e fardos de celulose prontos para embarque, com mapa de Mato Grosso do Sul ao fundo em estilo editorial.
Celulose, soja e carne bovina concentraram a maior parte das exportações de MS em 2025, segundo dados reunidos pela Semadesc. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

Celulose, soja e carne bovina puxaram as vendas externas; China liderou destinos e Três Lagoas foi o maior exportador.

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com o maior volume de exportações já registrado no Estado: US$ 10,7 bilhões em vendas externas. O valor supera o recorde anterior, de US$ 10,6 bilhões em 2023, e representa um crescimento de 7,51% na comparação com 2024. O resultado aparece na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior, elaborada pela Semadesc, com base em dados do ComexStat, sistema do Governo Federal.

O desempenho, contudo, não veio de uma mudança brusca na vocação produtiva. Pelo contrário: a pauta seguiu concentrada nas três grandes cadeias que sustentam o comércio exterior sul-mato-grossense.

A celulose liderou em 2025, com 28,98% de participação. Em seguida, apareceu a soja, com cerca de 22% do total exportado. Logo depois, veio a carne bovina, responsável por aproximadamente 17%. “Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda, empregos e divisas”, afirmou o secretário Jaime Verruck, titular da pasta.

Análise do Governo do Estado

Ainda assim, o recorde foi interpretado pelo governo como uma resposta a um ambiente externo mais difícil. Na avaliação do secretário, houve pressão no cenário internacional. Ao mesmo tempo, o Estado precisou reagir para manter ritmo e destino de mercadorias. “Em 2025 tivemos discussões e restrições comerciais importantes impostas pelos Estados Unidos, nosso segundo principal mercado para a carne bovina. Houve também impactos sobre a citricultura, ferroligas, café e laranja”, disse Verruck, ao comentar que o cenário trouxe reflexos ao Estado, mas acabou sendo superado com ajustes na rota de vendas.

Nesse processo de adaptação, produtos foram realocados para outros mercados e o fluxo de produção foi mantido com mudanças pontuais na pauta, segundo o secretário. “Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção. Inclusive com ajustes na pauta, como no caso da celulose, que deixou de ser direcionada ao mercado americano”, explicou. Mesmo com as oscilações, a China permaneceu como principal destino das exportações, com 48,57% de participação, seguida pelos Estados Unidos.

Destaque Regional e Logístico nas Exportações

Quando o recorte passa a ser regional, Três Lagoas voltou a aparecer como o município líder em exportações no Estado, concentrando 19,68% do total. Isso é um resultado associado à força da indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo, por sua vez, ficou em segundo, com cerca de 11%, ultrapassando Dourados e Campo Grande. Isso foi impulsionado pela atividade florestal e industrial. Ao mesmo tempo, a soja apresentou um comportamento diferente. Sua origem foi descrita como mais espalhada no território. Isso ajuda a explicar por que, apesar do peso do grão, a concentração municipal não se repete da mesma forma. “É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado”, concluiu Verruck.

Além do que é produzido, a forma como se escoa também pesou no desempenho. O Porto de Santos foi o principal canal de saída, com cerca de 38% do total exportado. Houve destaque para o uso do transporte ferroviário por meio da Malha Norte. Já Paranaguá respondeu por aproximadamente 33%, principalmente pelo transporte rodoviário de soja. São Francisco do Sul somou em torno de 12%, com perfil voltado às proteínas animais. Enquanto Corumbá participou com cerca de 5%.

Impacto do Setor Mineral e Balança Comercial

No meio desse cenário logístico, o setor mineral também foi citado como destaque. Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi apontada a possibilidade de ampliar a produção e, assim, elevar os embarques. Segundo Verruck, o Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas. Isso reforçou o peso do segmento para a economia estadual.

Do outro lado da balança, as importações somaram US$ 2,8 bilhões em 2025, o que representa uma queda de 3,4% frente ao ano anterior. O principal item importado foi o gás natural, descrito como produto estratégico da pauta. “Houve uma contração no volume importado de gás natural. Isso inclusive impactou nossas finanças estaduais”, observou o secretário. Em seguida, apareceram as máquinas destinadas à indústria de papel e celulose e o cobre. Este foi reflexo da presença de uma indústria de fios de cobre no Estado.