
A ausência de farmacêuticos durante o horário de funcionamento, a venda irregular de produtos e a falta de segurança em farmácias estão entre os principais desafios enfrentados pelo setor farmacêutico em Mato Grosso do Sul. O alerta é do Conselho Regional de Farmácia (CRF/MS), que intensificou a fiscalização no estado diante de irregularidades.
Segundo a presidente do CRF/MS, Daniely Proença, a presença do farmacêutico é obrigatória por lei durante todo o período de funcionamento dos estabelecimentos. Atualmente, o Estado conta com cerca de 4.500 profissionais para mais de 2.000 farmácias e drogarias, número considerado insuficiente para atender à demanda, especialmente no interior.
“O cidadão tem o direito de ser atendido por um profissional de saúde. O farmacêutico é quem orienta sobre o uso correto do medicamento, evita erros de dosagem e identifica falhas na prescrição”, afirmou.
De acordo com o Conselho, a falta desse profissional aumenta o risco de erros no uso de medicamentos, principalmente entre idosos e pacientes que fazem uso contínuo de vários remédios. Erros de posologia, trocas inadequadas e abandono do tratamento estão entre os problemas mais frequentes.
Outro ponto de preocupação é a atuação irregular de estabelecimentos. Fiscalizações já encontraram farmácias comercializando produtos proibidos, como alimentos, utensílios domésticos e até carnes. Pela legislação, farmácias e drogarias são consideradas estabelecimentos de saúde e devem se restringir à venda de medicamentos e itens autorizados.
O cenário econômico também afeta o setor. Segundo o CRF/MS, pequenas farmácias enfrentam dificuldades para competir com grandes redes, que praticam preços mais baixos e concentram operações fora do estado, o que impacta a arrecadação local e a sustentabilidade dos negócios regionais.
Além disso, o Conselho aponta aumento da violência contra trabalhadores. Nos últimos dois anos, ao menos seis crimes foram registrados em farmácias, com foco principalmente em medicamentos controlados. O CRF/MS tem solicitado maior presença policial, especialmente em estabelecimentos que funcionam 24 horas.
“O farmacêutico estuda anos para cuidar da saúde da população, não para viver situações de risco. Segurança também é uma questão de saúde pública”, disse Daniela.
O Conselho afirma que mantém ações de fiscalização, orientação e capacitação profissional e defende políticas públicas para ampliar a formação de farmacêuticos, especialmente fora dos grandes centros.