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SAÚDE

Uso de canetas emagrecedoras por idosos exige cautela e acompanhamento médico

Especialistas alertam que perda de massa muscular e desnutrição podem comprometer a capacidade funcional na terceira idade

Uso das canetas emagrecedoras por pessoas idosas exige cuidados específicos - Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde
Uso das canetas emagrecedoras por pessoas idosas exige cuidados específicos - Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde

O uso das chamadas canetas emagrecedoras por pessoas idosas exige cuidados específicos e acompanhamento médico contínuo para evitar prejuízos à saúde e à autonomia funcional.

O alerta é da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), que aponta riscos importantes quando esses medicamentos são utilizados sem indicação adequada.

Segundo o presidente da SBGG, Leonardo Oliva, os efeitos adversos tendem a ser mais imediatos em pessoas com 60 anos ou mais. Entre eles estão náuseas, vômitos, dificuldade para se alimentar e ingerir líquidos, além do risco de desidratação e distúrbios eletrolíticos, considerados potencialmente graves. A médio prazo, também pode ocorrer desnutrição.

Outro ponto de atenção é a perda de massa muscular durante o emagrecimento. De acordo com Oliva, cerca de um terço do peso eliminado com essas medicações corresponde à massa magra.

“Não tem como emagrecer apenas gordura. O corpo perde gordura, mas também perde músculo”, explica.

Risco de perda funcional

Na população idosa, essa redução muscular pode resultar em perda de funcionalidade, ou seja, dificuldade para realizar atividades básicas do dia a dia. “É algo muito significativo e que, em alguns casos, pode não ser recuperado”, afirma o geriatra.

O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, acrescenta que a combinação entre menor apetite, náuseas e emagrecimento rápido pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física, condições associadas ao aumento do risco de quedas, internações e perda de independência.

Tratamento médico, não estético

Os especialistas reforçam que as canetas emagrecedoras têm indicação médica para o tratamento de obesidade, diabetes tipo 2 e apneia do sono, e não para a perda de poucos quilos com finalidade estética.

“Hoje vemos pessoas querendo perder dois ou três quilos utilizando essas medicações, o que não tem indicação médica”, ressalta Oliva.

Apesar dos riscos, o presidente da SBGG reconhece que os medicamentos representam um avanço importante da medicina. “São uma inovação fantástica, mas devem ser usados de forma apropriada, em doenças crônicas e com acompanhamento adequado”, pontua.

Acompanhamento multiprofissional é essencial

Para idosos em tratamento da obesidade, a orientação é que o uso das canetas esteja associado a acompanhamento médico, nutricional e também com profissionais de educação física ou fisioterapia.

A prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força, ajuda a minimizar a perda muscular durante o emagrecimento.

Outro cuidado é evitar a perda de peso muito rápida. Quanto mais acelerado o emagrecimento, maior tende a ser a perda associada de massa muscular. Além disso, a alimentação precisa garantir ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, fundamentais para a manutenção da saúde.

Receita médica e risco do mercado ilegal

A SBGG também alerta para o risco da compra dessas medicações no mercado paralelo. Oliva destaca que existem falsificações de procedência desconhecida, o que aumenta significativamente os riscos à saúde, incluindo contaminações por bactérias, fungos ou outras substâncias.

“O fato de a medicação exigir receita médica não é burocracia. Significa que ela só deve ser usada após avaliação adequada, com acompanhamento dos possíveis efeitos adversos”, afirma.

Segundo ele, recorrer a receitas emprestadas ou comprar produtos fora de farmácias legalizadas coloca a saúde em risco.

*Com informações da Agência Brasil