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Com equipe multidisciplinar, APAE atende pacientes com sequelas da covid-19

Atendimento é de graça e ocorre de segunda a sexta-feira, com cadastro pré-aprovado

Por Isabelly Melo
28/07/2021 • 15h39
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Referência nacional, o primeiro ambulatório para tratamento de pacientes que têm doenças residuais provocadas pela covid-19 foi inaugurado em setembro do ano passado em Campo Grande pela prefeitura da capital, em parceria com a Associação dos Amigos dos Excepcionais (APAE).

O atendimento, que é feito integralmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), já recebeu mais de 300 solicitações de atendimento. Dessas, 410 se converteram em pacientes atendidos no centro especializado em reabilitação da APAE de Campo Grande.

Paulo Siufi aponta falsa sensação de cura e dificuldade financeira como motivo de desistências

Até julho deste ano 30 pacientes receberam alta e 28 desistiram, número que acende o alerta para entender o porquê de tantas desistências. Conforme o médico Paulo Siufi, diretor clínico que integra a equipe multidisciplinar da reabilitação, um dos motivos é a falsa sensação de estar curado.

“Quando você começa a melhorar na sua reabilitação, você se sente melhor, aí você quer voltar para o trabalho, que já começa a te convidar, dependendo se você é autônomo ou não, você precisa, porque você vive daquilo que produz. Melhorou um pouquinho, você já desiste”, explicou o médico.

Siufi disse ainda que a questão econômica dos pacientes também é peça chave nas desistências, ainda mais no período de pandemia. “As pessoas que estão com problema econômico têm dificuldade até em adquirir um passe de ônibus para vir até a APAE. E daí quando começa a melhorar ou tem dificuldade, elas desistem”, complementou.

O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira no período da manhã. Sendo que o encaminhamento é feito através do Sistema de Regulação Municipal, que faz o agendamento para avaliação de cada caso. Durante o tratamento os pacientes são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, composta por cardiologistas, neurologistas, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e mais.

Desde a inauguração o ambulatório pós-covid CER/APAE já recebeu pacientes que tiveram sequelas motoras, respiratórias e até psicológicas. Como o Fernando Oliveira, de 63 anos, que foi diagnosticado com a doença logo após as eleições do último ano.

Fernando em uma das atividades que realiza na reabilitação.  Foto: Assecom APAE

Fernando precisou ser internado no hospital regional e ficou 50 dias intubado. Quando no dia 12 de janeiro saiu do hospital e já foi encaminhado diretamente para a reabilitação, devido as sequelas deixadas pela doença. “Eu fiquei três meses com bastante coisa. Não dormia, eu cheguei aqui de cadeira de roda e hoje eu estou vindo de carro, eu dirigindo. A evolução foi muito grande”, disse.

A evolução do Fernando é exemplo dentro do centro de reabilitação. Motivado pela própria força de vontade e pela família, Fernando nunca pensou em desistir. “Desistir eu nunca desisti. Nem quando eu estava nos priores situações. Porque eu tive muita dificuldade, então eu não vou desistir agora que eu estou bem. Estou doido para ir pro rio, quero andar de bicicleta”.

A motivação de Fernando também é grande ao pensar nas vidas que se foram por causa da covid-19. Tanto de familiares, quanto de desconhecidos. “Perdi muita gente da família, acho que seis (pessoas), então eu estou feliz de estar aqui. Eu lembro quantas pessoas não conseguiram o que eu consegui. Não é só conhecido e parente não, é muita gente que foi embora por causa disso. Não dá para desistir”, disse emocionado.

Segundo a supervisora do setor de fisioterapia, Sarita Baltuilhe, não existe um prazo pré-definido para o tempo de tratamento, cada paciente tem suas especificidades. Sendo que, ter covid de uma forma mais branda não significa precisar de um tempo menor para a reabilitação.

Sarita destaca assiduidade como fator essencial na reabilitação

“Depende de como esse paciente está chegando para nós. E não é logo que o paciente é acometido pela doença (que as sequelas aparecem), teve pacientes que tiveram a covid em um quadro leve, e depois de dois, três meses ele começa a apresentar as sequelas. Como pânico, medo, ansiedade, e aí começa a ter fadigas, a ter fraqueza”, explicou.

Sarita pontua que além da equipe multidisciplinar, o principal fator para uma boa reabilitação é assiduidade dos pacientes. “Não trata logo na fase adulta, e depois vira fase crônica e aumenta ainda mais essa sequela. Então é muito importante a adesão, a assiduidade nessa reabilitação”.

Alguns pacientes nem mesmo avisam sobre a desistência, o que leva a necessidade de uma busca ativa pela coordenação da reabilitação, afim de entender o que houve. Contudo, após três faltas sem justificativas, o paciente é automaticamente desligado.

Para participar do programa de reabilitação é necessário encaminhamento médico, através do Sistema de Regulação do SUS, o que pode ser feito após consulta em qualquer unidade de saúde da capital. Para mais informações é só entrar em contato pelo telefone 4042-2250.

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