RÁDIOS
Campo Grande, 28 de fevereiro

'Foi uma fatalidade e o coração dele não aguentou', disse o diretor do hospital sobre João Carreiro

O médico cardiologista apontou vários fatores que teriam comprometido o sucesso da cirurgia; 3% dos pacientes não sobrevivem

Por Gerson Wassouf e Lígia Sabka
04/01/2024 • 17h00
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O diretor-médico e responsável técnico do Hospital do Coração MS, o médico cardiologista Jandir Ferreira Gomes Júnior, informou na tarde desta quinta-feira (4) os fatores que podem ter agravado o quadro de saúde do cantor João Carreiro, durante o procedimento cirúrgico para implante de uma válvula no coração.

O médico confirmou que o cantor tinha uma anomalia chamada de prolapso da válvula mitral, também conhecida como 'sopro no coração', que pode vir desde a infância e se agravar na fase adulta.

A cirurgia não é indicada em todos casos. É considerada de alta complexidade, apesar de ter sido realizada pelo método 'minimamente invasivo', ou seja, sem a necessidade de abrir o peito do paciente, numa cirurgia de grande extensão. A técnica reduz o tempo de recuperação do paciente e é a mais recomendada para esse tipo de situação.

João Carreiro esteve por quase 12 horas no centro cirúrgico (9h30 às 21h20) até a constatação da morte, na noite dessa quarta-feira (3). A equipe médica que atuou no procedimento não participou da entrevista coletiva.

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O diretor do hospital informou que quatro especialistas estavam dentro da sala cirúrgica, sendo um deles um médico anestesista, além da equipe de enfermagem, do perfusionista e do instrumentador. 

"O que aconteceu realmente foi uma tragédia, que pode acontecer em qualquer um de nós, independente de quem sejamos,  independente da idade. [...] "Foi uma fatalidade [...] Infelizmente, ele caiu dentro de uma estatística, a dos 3%" , disse o doutor Jandir sobre o índice de pacientes que não resistem a uma cirurgia cardíaca.

Dir. do Hospital do Coração, Jandir Gomes JúniorDir. Médico do Hospital do Coração, Jandir Gomes Júnior - Foto: Gerson Wassouf

O médico esclareceu à imprensa que não participou da cirurgia, mas acompanhou a equipe de especialistas e que foram vários os fatores que teriam comprometido o sucesso do tratamento."A válvula, que já estava com a disfunção importante, com calcificação, aumentou o tempo de cirurgia. Já o coração dele, já estava com uma discreto dilatação, já estava com o início de disfunção. Tudo isso, associado com o tempo prolongado de cirurgia, acabou levando a essa disfunção aguda".

A previsão inicial era que o tempo de cirurgia fosse entre 4 e 5 horas. A intercorrência veio após a substituição da válvula mitral 'defeituosa', quando o coração voltou a receber sangue. Conforme a explicação do diretor, nesse momento, os batimentos cardíacos não retornaram e, durante várias horas, foram realizadas tentativas para que o coração de João Carreiro voltasse a pulsar. 

"Por vários momentos, eles tentaram desligar a máquina de circulação extracorpórea, usando bastante medicação para poder manter o coração com a pressão mais alta, com a frequência cardíaca adequada, só que o coração não aguentava. Ele começava a bater,  a cair a pressão,  ter um batimento menor,  e aí tinha que voltar para a máquina.  Aí esperava um tempo, esperava ele se recuperar,  fazia mais medicação,  e esse processo foi até chegar um momento  que realmente não teve mais o que fazer", lamentou o diretor do hospital.

"O paciente já tinha uma discreta dilatação do coração, das câmaras do coração, ou seja, ele já tinha um pequeno grau de disfunção cardíaca. Tudo isso, associado ao tempo prolongado de cirurgia, ao tempo prolongado de circulação extracorpórea, que é quando o sangue sai e vai para a máquina para poder operar o coração, e volta, esse tempo prolongado, também levou à disfunção aguda do coração".

ALERTA AOS PACIENTES

Durante a coletiva, o cardiologista também alertou sobre a importância da população buscar atendimento médico para prevenir casos graves de doenças ligadas ao coração.

"Hoje, muita gente só vai no cardiologista quando sente alguma coisa, independente da idade.  E tem muitas doenças que são congênitas [... ] Eu acredito que todo paciente jovem, 18, 20 anos, principalmente aqueles pacientes que vão iniciar algum tipo de atividade física, deve fazer um check-up do coração, fazer um elétron, fazer um ecocardiograma, que é o ultrassom do coração.  Fazer um teste de esteira, é extremamente importante, para ver se você pode fazer  uma atividade física, entendeu"?

O médico também enfatizou que pessoas com histórico de doença cardíaca familiar devem se preocupar e a prevenção deve começar antes do paciente ter algum tipo de sintoma. "Qualquer médico, desde a pediatria, pode ver se você tem algum sopro cardíaco, algum distúrbio do ritmo cardíaco. E a partir daí indicar algum exame  para tentar diagnosticar precocemente alguma doença", concluiu dr. Jandir.

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