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Três Lagoas, 26 de junho

Ansiedade não é mimimi nem frescura

Renata Abreu é presidente nacional do Podemos e deputada federal por São Paulo

Por Redação
16/04/2022 • 07h42
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Esta pergunta Saúde mental é papo sério. Tudo bem sentir medo. O medo faz parte de nossas vidas. Pode aparecer na entrevista de emprego, no dia da prova escolar, no deslocamento em avião, quando se muda de cidade, nas tomadas de decisões, enfim, surge diante de situações novas e nos processos de adaptações. Mas quando o medo se transforma em transtorno de ansiedade, a pessoa passa a apresentar em seu comportamento sinais de que algo está muito errado. E precisa de ajuda! Frio na barriga, alterações repentinas de humor, medo do fracasso ou de ficar sozinho, fadiga, dificuldade para dormir, comer exageradamente, preocupação excessiva com o futuro, melancolia, angústia, tristeza, busca irracional pela perfeição, vertigens, taquicardia, falta de ar…

A lista dos sintomas tanto no corpo quanto na mente é enorme, e nos dá uma ideia do sofrimento da pessoa com transtorno de ansiedade. Então, gente, ansiedade não é frescura, mimimi, encenação nem desculpinha esfarrapada. Esses adjetivos desqualificantes só fazem com que muitos dos que sofrem de ansiedade se fechem por medo de julgamentos e outros aspectos que contribuem para a piora do quadro. Antes da pandemia, esse transtorno emocional afetava 19 milhões de brasileiros. Agora, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a Covid-19 contribuiu para que esse cenário se agravasse ainda mais. Ansiedade é um problema social. E uma questão de saúde pública. Se não tratada, pode levar ao alcoolismo, uso de drogas, depressão profunda, incapacidade funcional e até suicídio.

Precisamos derrubar o tabu que se trata de chilique ou falta de fé, como desdenham alguns por aí. O ex-jogador de futebol Cicinho, com passagens por vários times e Seleção Brasileira, passou do medo para ansiedade, da ansiedade para depressão profunda e da depressão profunda mergulhou no alcoolismo. Foram dez anos recusando-se a acreditar que tinha um sério problema de saúde mental. Felizmente, encorajado e apoiado por amigos e familiares, procurou ajuda profissional e hoje está de bem com a vida. Quando a saúde mental está abalada, o efeito pode ser catastrófico. Foi isso o que aconteceu dias atrás com 26 estudantes de uma escola estadual em Recife.

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Com falta de ar, tremor, taquicardia, crise de choro e desmaios, eles foram acometidos por uma angústia incontrolável coletiva. Várias equipes do Samu foram deslocadas para o colégio para socorrê-los. Nenhum deles, aparentemente, tinha histórico de ansiedade. Aliás, não existe, necessariamente, um fator que desencadeia o transtorno, são vários os fatores que estão a adoecer nossa saúde mental. As pressões do dia a dia, os fatos inesperados, os conflitos, enfim, desafios que acabam gerando uma sobrecarga emocional que mina o bem-estar da nossa mente. Por causa da pandemia, foram mais de dois anos de afastamento das aulas presenciais, do trabalho, do convívio social. Acrescido a isso vieram o luto, o desemprego em alta, o despejo, a inflação, o custo de vida elevado, a desesperança e a dificuldade de compreender o momento que atravessamos. Mudança brutal de nossas rotinas.  O que esses estudantes do Recife tiveram, assim como tantos outros milhões de habitantes do planeta, não foi frescura nem chilique, mas o resultado de um mundo moderno, que traz muitos desafios e que exige cada vez mais das pessoas. E isso acrescido de uma pandemia que trouxe mais desafios, cobranças e mudanças bruscas de comportamentos.

O serviço público de Saúde, através dos Caps (Centros de Atenção Psicossociais (Caps), é referência no trato da saúde mental, mas entendo que em casos como o ocorrido no Recife, principalmente nestes tempos de pós-pandemia, seria importantíssimo ter psicólogos nas escolas para acudir os alunos em momento de estresse emocional. 

Também considero importante massificar a divulgação de que a ansiedade é o mal do século e que atinge pessoas de todas as classes sociais e diferentes faixas etárias, afligindo a sociedade como um todo. A ginasta norte-americana Simone Biles, a tenista japonesa Naomi Osaka e o nadador americano Michael Phelps vieram a público revelar que não são super-heróis nem imbatíveis e que sofrem do transtorno da ansiedade. Cada qual à sua maneira, eles pediram aos fãs, técnicos e patrocinadores apoio, respeito e compreensão a seus limites de força física e mental.

Eles, assim como todos nós, sofrem cobranças. Muitas vezes encaramos a cobrança como se fosse o último ato de nossas vidas. Não somos máquinas, somos humanos, falhamos, somos imperfeitos e temos de aprender a lidar com as nossas imperfeições. Ansiedade não é frescura nem mimimi. Então, tudo bem se não estiver bem. Mas peça ajuda. Não se feche, não deixe que a ansiedade te domine e te derrube. Ansiedade tem cura!

Renata Abreu é presidente nacional do Podemos e deputada federal por São Paulo

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