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AGRONEGÓCIO

Brasil chega a 52 frigoríficos habilitados para exportar carne à Indonésia

O aumento de 14 novas unidades, incluindo plantas de Mato Grosso do Sul, reforça a posição do país como fornecedor global de proteína bovina

Frigorífico de carne bovina — Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
Frigorífico de carne bovina — Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

A Indonésia anunciou nesta quinta-feira (29/1) a habilitação de mais 14 frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina. Entre as unidades incluídas no novo lote estão duas localizadas em Mato Grosso do Sul: Campo Grande e Anastácio.

Com essa decisão, o número total de frigoríficos brasileiros autorizados a enviar carne bovina ao país asiático chega a 52, um crescimento significativo em relação às 17 plantas liberadas em setembro de 2025. A ampliação do acesso ao mercado indonésio reforça a importância do Brasil como fornecedor global de proteínas e destaca o potencial de expansão do agronegócio brasileiro na Ásia.

A auditoria das plantas habilitadas foi realizada em dezembro de 2025 por uma missão técnica da Indonésia, que avaliou os padrões de qualidade e segurança alimentar exigidos pelo mercado local. Os frigoríficos que passaram pelos critérios rigorosos agora podem atender a uma demanda crescente por carne bovina, impulsionada pelo aumento do consumo no Sudeste Asiático.

Impacto econômico e estratégico para MS

O setor agropecuário brasileiro vê na expansão das exportações para a Indonésia uma oportunidade estratégica para diversificação de mercados. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o país asiático é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo, e o acesso a novas plantas brasileiras representa incremento econômico relevante para os estados produtores.

Mato Grosso do Sul, que possui forte tradição na pecuária, comemora a inclusão de suas unidades na lista indonésia. A cidade de Campo Grande abriga um dos frigoríficos mais modernos do país, equipado com tecnologia de ponta para controle sanitário e rastreabilidade do produto. Já Anastácio se destaca pela capacidade de processamento e pelo atendimento a padrões internacionais de segurança alimentar.

Analistas do setor destacam que a habilitação de mais frigoríficos brasileiros contribui para reduzir a dependência de mercados tradicionais, como China e Oriente Médio, e fortalece o posicionamento do país como fornecedor confiável de carne bovina. Além disso, aumenta a concorrência interna, estimulando melhorias na qualidade e eficiência operacional das plantas.

Expansão global e desafios logísticos

O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de carne bovina, respondendo por aproximadamente 20% do comércio global da proteína. A expansão para a Indonésia surge em um momento estratégico, em que o país busca ampliar a presença em mercados emergentes e consolidar sua imagem de fornecedor seguro e sustentável.

Entre os desafios ainda a serem superados estão a logística de transporte, a variação cambial e a adaptação às exigências sanitárias específicas de cada país importador. No entanto, o mercado indonésio apresenta grande potencial de crescimento, devido à elevada população, aumento do poder de compra e mudanças nos hábitos de consumo, que passam a incluir mais proteína animal.

A expectativa é que a entrada dos novos frigoríficos gere impactos positivos no comércio bilateral, com aumento no volume exportado e na receita gerada pelo setor agropecuário brasileiro. As autoridades indonésias reforçaram que a continuidade da habilitação dependerá da manutenção dos padrões de qualidade e da conformidade com as normas sanitárias, garantindo segurança alimentar aos consumidores.

A expansão do acesso ao mercado indonésio também pode incentivar investimentos em infraestrutura e tecnologia nos frigoríficos, fortalecendo a cadeia produtiva e aumentando a competitividade do país no mercado internacional.