Sebastian Vettel e Fernando Alonso tiveram dificuldades para sair da cama ontem, um dia após a corrida que definiu o Mundial de F-1. Mas por razões bem distintas.
Campeão da temporada, Vettel acordou cedo para uma entrevista no Hangar 7, em Salzburgo, espécie de "sede social" da Red Bull.
Ao lado do colega de time, Mark Webber, deixou Abu Dhabi logo cedo rumo à Áustria. Após o evento, embarcaria de volta para os Emirados Árabes, onde, no fim de semana, participa dos primeiros testes da Pirelli, nova fornecedora de pneus da F-1.
Já Alonso ainda tentava esquecer o sofrimento vivido anteontem, quando viu o título escapar ao completar a prova em sétimo lugar.
"Foi difícil acordar após a decepção. Não posso negar", escreveu o ferrarista em seu blog. "Dói bastante chegar tão perto do seu objetivo e ver ele ir embora. Mas assim é o esporte. Temos que aceitar."
Além da "ressaca moral", Alonso também teve outra dor de cabeça ontem. A estratégia errada escolhida pela Ferrari –e que, em parte, custou-lhe o título– virou questão nacional na Itália.
Roberto Calderoni, ministro de gabinete do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sugeriu a demissão de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.
"Apesar da capacidade do excelente Alonso, a Ferrari conseguiu perder um campeonato ganho. Estamos envergonhados com a estratégica louca. Ele [Montezemolo] é o culpado", declarou.
Em um comunicado oficial, Montezemolo ridicularizou o ministro italiano.
"Quando Calderoni conseguir realizar em sua vida 1% daquilo que a Ferrari já fez pelo país em termos de indústria e esporte, aí sim ele merece ter uma resposta."
A polêmica aconteceu porque a escuderia italiana resolveu chamar o espanhol para fazer seu pit stop logo no começo da corrida. Quando voltou à pista, Alonso não conseguiu ultrapassar Vitaly Petrov, piloto da Renault.
A Ferrari ainda viu o segundo título da Red Bull em uma semana, já que o time havia ganhado o Mundial de Construtores no GP Brasil.
A conquista de Vettel, aliás, serviu para que a Red Bull ainda espezinhasse da Ferrari. "Ganhamos os títulos do jeito certo, pelo que nossos pilotos fizeram na pista", disse Christian Horner, chefe do time campeão, referindo-se às ordens de equipe usadas pelos italianos.