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Mais de 45 mil pacientes deixam de comparecer às consultas em Três Lagoas

Ausência de pacientes causa prejuízos no agendamento de outros pacientes, e na produção dos profissionais

As informações sobre as ausências foram coletadas pela administração municipal entre os meses de janeiro e agosto de 2025. (Foto: Reprodução)
As informações sobre as ausências foram coletadas pela administração municipal entre os meses de janeiro e agosto de 2025. (Foto: Reprodução)

A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas enfrenta um problema crescente com o absenteísmo, situação que compromete diretamente o funcionamento da rede pública. Isso ocorre quando pacientes que agendaram consultas, exames, procedimentos ou foram encaminhados pelo SISREG – Sistema de Regulação – simplesmente não comparecem, gerando lacunas que afetam toda a cadeia assistencial e prejudicam o fluxo de atendimento.


De acordo com dados divulgados pela administração municipal, 45.262 pacientes que agendaram atendimentos entre janeiro e agosto de 2025, não compareceram e nem apresentaram qualquer justificativa formal. Esse número expressivo evidencia a dimensão do problema e reforça a necessidade de ampliar estratégias de conscientização e prevenção, de modo a garantir maior eficiência e aproveitamento dos recursos disponíveis.


Mamografias, ultrassonografias e endoscopias estão entre os procedimentos com maior índice de ausência. Em outubro, por exemplo, durante a campanha do Outubro Rosa, foram disponibilizadas quase 400 vagas, mas apenas 224 pacientes concluíram efetivamente o atendimento, desperdiçando oportunidades importantes e diagnósticos de prevenção e cuidado.


A falta dos pacientes gera impactos graves, pois equipes ficam ociosas e outros usuários deixam de ser atendidos, atrasando tratamentos e aumentando a sobrecarga sobre o sistema. Michela Sostena, coordenadora do Centro Odontológico, explica que cerca de 40% dos pacientes agendados não comparece, comprometendo o cronograma estabelecido e gerando atrasos significativos. Ela destaca que, mesmo com segunda ou terceira oportunidade, muitos acabam reiniciando o processo, especialmente em tratamentos de maior complexidade, como o de canal, em que qualquer ausência pode resultar em retorno à fila de espera.


Além do prejuízo assistencial, o absenteísmo compromete investimentos futuros. Indicadores mais baixos podem reduzir repasses do Governo do Estado e do Ministério da Saúde, limitando recursos e impactando toda a estrutura de atendimento. Michela reforça que, quanto menor o número de procedimentos realizados, menores serão os investimentos destinados à área, afetando diretamente toda a população que depende do sistema público.


No setor de Oftalmologia, por exemplo, mais de mil agendamentos foram realizados nos últimos três meses, porém 171 pacientes faltaram, representando uma taxa de 17% de absenteísmo, enquanto a fila de espera já alcança 1.283 pessoas. Cada ausência prejudica diretamente o fluxo e afeta outros cidadãos que aguardam atendimento há semanas.


Para enfrentar esse desafio de forma mais eficaz, a Secretaria de Saúde estuda novas estratégias, como reforço de lembretes por telefone e mensagens, além de melhorias na comunicação direta entre unidades e pacientes e aprimoramento dos mecanismos de confirmação de presença.


A secretaria avalia implementar relatórios periódicos para monitorar padrões de ausência e identificar áreas que necessitam de intervenção imediata, fortalecendo a gestão dos serviços e promovendo maior transparência e acompanhamento do desempenho das unidades de saúde.