Índios Kadiwéu e da etnia terena passam o Dia 19 de Abril acampados em 2 fazendas de Mato Grosso do Sul. As áreas, são há anos reivindicadas pelas famílias, como parte das aldeias, mas os recursos judiciais impedem o fim da briga que envolve, inclusive, a família do ex-governadro Pedro Pedrossian. Processos parados são o estopim para as ocupações no Estado.
Em Bonito, indígenas da etnia kadiwéu continuam ocupando a sede da Fazenda Santa Clara, distante 65 quilômetros do centro da cidade. Eles ocuparam a fazenda há 37 dias.
Segundo os proprietários, o grupo não admite diálogo e mantém-se irredutíveis sobre o objetivo de incluir a área para demarcação indígena. No entanto, a justiça já concedeu, em 2003, manutenção de posse aos produtores rurais.
Denúncias apontam que fazendeiros da região do Pantanal “fugiram” para Bonito e arrendaram as áreas indígenas, onde brancos vivem e produzem em locais destinados às etnias indígenas.
Nilton Pereira Vargas, proprietário da Fazenda Santa Clara, disse ao Campo Grande News que há 15 dias não vai à fazenda por medo da reação dos indígenas. “A Funai não faz nada, nem a polícia”, comentou.
A decisão depende do STF (Supremo Tribunal Federal), depois que a Justiça Federal de Campo Grande julgou não possuir competência para resolver a situação. Os proprietários ingressaram com medida cautelar de manutenção de posse para conseguir reaver a área.
Hoje, quase 2 mil índios kadiwéu vivem na região de Bonito e Porto Murtinho.
Por muitos anos, os kadiwéu aguardaram o desfecho da pendência judicial e neste ano resolveram lutar pela terra acampados na propriedade.