Comoção e muita tristeza marcaram a manifestação de familiares e amigos de Cyntia Maria Ruiz Savala, de 34 anos, que morreu após passar quase 10 horas esperando ser transferida a um hospital, em frente à Unidade de Pronto Atendimento do bairro Guanandi.
“Obrigado, senhores médicos por tirarem a vida da nossa mãe”, dizia o cartaz carregado pelos filhos, de 13 e 9 anos. Outros pediam por justiça, alegando que “inocentes estão pagando com a vida”.
A mãe de Cyntia, Inesita Ruiz, conta que ela foi levada para a UPA pela ambulância do SAMU às 7h, com muitas dores, ela foi atendida e medicada. Por não conseguir informações, mesmo tranquila, ela resolveu entrar escondida onde a filha estava.
Quando chegou, encontrou Cyntia caída no chão do banheiro “mole e com muito sangue”. “Mãe, me deram um remédio que eu estou tremendo”, foi o que ela disse para Inesita.
A mãe achou estranho e “implorou” para falar com a médica que estava de plantão. Segundo ela, apenas o guarda municipal intermediava esse contato.
Percebendo a gravidade do caso, a família pediu para levar Cyntia para um hospital particular no carro deles. A médica não permitiu.
Por volta das 17h, a ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou e transferiu a paciente para o Hospital Regional.
Quando chegou ao HR, segundo Inesita, ela estava branca por ter perdido muito sangue. O médico fez um exame de sangue e descobriu que ela estava grávida – Ninguém sabia, nem mesmo Cyntia. A mulher recebeu uma transfusão de sangue e estava sendo levada para a sala de cirurgia, quando não resistiu e morreu.
Inesita questiona porque a filha demorou tanto para ser transferida a um hospital, se era “visível que ela não estava bem”.
“Ela saiu do posto toda entubada, para você ver como o estado dela era grave”, diz Ana Rita Ruiz, irmã da paciente.
UPA – De acordo com Talita Moreira Silva, gerente administrativa do posto, o prontuário da mulher foi encaminhado a Sesau e um processo administrativo será aberto para identificar se houve erro médico.
Ainda segundo ela, no documento consta que a medica solicitou ao SAMU a transferência da paciente ao hospital, mas a viatura chegou às 17h apenas com um enfermeiro.
Quanto á transferência dela para um hospital no carro da família, ela explicou que isso não é permitido quando o paciente está em estado grave.
Ela também relata que Cyntia deu entrada apenas com dores e o quadro foi se agravando na UPA.