
Depois do AutoCross Gaiola Club (carros adaptados com estrutura de ferro semelhantes à gaiolas), outro grupo está sem local para treinamentos em Três Lagoas.
Trata-se da Associação Guerreiros do Wheeling. O Wheeling é praticado por motos comuns com pequenas adaptações, com o intuito de efetuar manobras radicais. Ele é inclusive reconhecido pela Associação Brasileira de Motociclistas (Abram).
Os três-lagoenses se reúnem há três anos para praticar o esporte e, oficialmente, a associação existe desde 22 de agosto de 2009, contando com 15 membros.
O grupo chegou a praticar de maneira provisória em uma das ruas do distrito industrial paralela ao anel viário engenheiro Samir Thomé (BR-158).
“Nossa última liberação foi no dia 8 de agosto. De lá para cá não temos onde treinar. A liberação veio por meio do diretor de trânsito (Milton Gomes Silveira). Mas sempre foi provisória e experimental, amparada pelo artigo 67 do Código de Trânsito Brasileiro (CBT). Ele fala que o Município tem que ceder um espaço para veículos de exibição. Mas o mesmo código fala de um seguro ou calção que deve ser pago pela entidade para uma liberação permanente. Isso seria inviável para a gente. Estamos apenas começando”, explicou o vice-presidente Hudson Augusto de Souza Silva.
Cada liberação valia para dois domingos por mês e contava com a fiscalização da polícia.
ARENA MIX
Hudson garantiu que desde que o espaço Arena Mix foi inaugurado, existe uma área destinada ao wheeling, mas nunca conseguiram utilizar tal espaço.
“Há duas semanas fui até a Prefeitura tentar agendar uma reunião com a prefeita e me prometeram uma resposta. Mas até agora nada. Constantemente entramos em contato com o promotor Antonio Carlos (Garcia de Oliveira) que nos orientou a criar a associação. Aguardamos uma posição dele e da Prefeitura. A esperança é que ontem (anteontem) na sessão da câmara, um dos assuntos mais polêmicos foi justamente a dificuldade de utilização do Arena Mix. Foram citadas as duas associações que estão com problemas, a nossa e a dos motociclistas (Asatrem)”, frisou.
TRISTEZA
O vice-presidente da associação não escondeu a tristeza com a atual situação.
“Nosso grupo está muito magoado com o descaso com que estamos sendo tratados. Mas estamos nos esforçando para mudar esse quadro e nossas esperanças existem porque o assunto foi falado pelos vereadores em sessão”, disse Hudson.
Esporte veio da Europa e prima pela segurança
O wheeling chegou ao Brasil nos anos 80, trazido da Europa. Na época era conhecido como speed wheeling, ou seja, um tipo de prova de arrancada que os pilotos vinham com a moto empinada, em uma roda e em alta velocidade.
Conforme foi passando o tempo, os brasileiros se aperfeiçoaram e começaram executar manobras em baixa velocidade e assim surgiram os campeonatos de wheeling, que julgavam a habilidade e a capacidade de executar vários tipos de manobras apenas em uma roda.
O esporte prima pela segurança e pelas leis de trânsito. “Nossos membros têm que cumprir o Código de Trânsito Brasileiro e o nosso próprio código também, sob risco de punições. Somos comprometidos a manter a paz no trânsito. Durante os treinos e apresentações usamos todos os equipamentos necessários de segurança (capacetes, joelheiras, cotoveleiras, etc), inclusive a rua sempre esteve fechada para evitar acidentes”, destacou Hudson.
A Associação Guerreiros do Wheeling, presidida por Sílvio Munhoz e que tem como um dos idealizadores Éder Mateus, o “Neninho”, vem adquirindo motos próprias para os treinos. Mas os investimentos podem cessar, caso o problema da falta de local onde possam praticar não seja resolvido.