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Ronaldo e Andrés Sanchez entram em cena na CBF. E Ricardo Teixeira sorri, maroto

Neste cenário, o poder de barganha do COL caiu drasticamente.

Nós podemos chamar Ricardo Teixeira de muitas coisas. Mas burro ele não é.

O eterno presidente da CBF e então presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo era o senhor absoluto do Mundial até o início deste ano. Com a entrada de Dilma Rousseff no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência da República, Teixeira sentiu que alguns doces seriam tirados de sua boca. E assim o foi.

Aqui vale um adendo. No início de seu governo, Lula prometeu moralizar o futebol. E por mais de uma vez chegou a desancar publicamente o reinado do presidente da CBF no futebol brasileiro. Anos depois, no fim de seu mandato, com demasiada frequência Ricardo Teixeira foi visto em Brasília no fim de tarde das sextas-feiras tomando um whisky com Lula. Sabe-se lá o que aconteceu, o fato é que ficaram amigos e o manda-chuva do futebol brasileiro sentiu-se absolutamente confortável para presidir também o Comitê Organizador da Copa, o COL. Não havia resquício de poder, portanto Lula teve diversos méritos em seus oito anos de presidência. Mas essa mancha ele vai ter que carregar. Fecha adendo.

Com Dilma Roussef foi diferente. Não existe nenhuma simpatia da atual presidenta quanto a Teixeira. 2011 foi um ano de decisões importantes para o destino da Copa 2014, e com isso Teixeira teve que se expor mais do que gostaria. Foi aí que se deu mal.

Dilma não o recebe como Lula recebia, e faz questão de mostrar para todo mundo essa distância. O deputado Romário (PSB-RJ) contribuiu para fazer as perguntas certas a Ricardo Teixeira e jogar a opinião pública contra ele. Acusado pelo jornalista britânico Andrew Jennings de assumir ante a Justiça suíça ter recebido propina no caso ISL, Teixeira ganhou os holofotes negativamente.

Neste cenário, o poder de barganha do COL caiu drasticamente.

Aí veio o golpe de mestre.

Primeiro, Ricardo Teixeira designou Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, para o cargo de diretor de seleções da CBF. Sanchez é um falastrão, atrai toda a atenção da mídia com frases de impacto, promessas, ideias, etc. Daria um respiro tanto a Teixeira quanto ao técnico Mano Menezes, criticado desde que assumiu a seleção brasileira. Dividiria o foco da mídia.

Segundo, largou o osso do COL e designou Ronaldo Fenômeno para o cargo. Ídolo como Michel Platini, organizador da França 1998, e Franz Beckenbauer, organizador da Alemanha 2006. Porém, diferente dos dois europeus, Ronaldo deverá ser mais um testa-de-ferro que propriamente um executivo. Azar o dele. Corre o risco de jogar parte de seu nome na lama ao se misturar com gente que está bem longe de ser quista pelo povão.