
O crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras sem acompanhamento profissional tem acendido um alerta entre farmacêuticos de Mato Grosso do Sul. O tema foi destacado nesta terça-feira (20), Dia do Farmacêutico, em entrevista da presidente do Conselho Regional de Farmácia, Daniely Proença, que defendeu maior conscientização sobre os riscos da automedicação.

Segundo ela, o farmacêutico é um profissional presente em todas as etapas do cuidado com o medicamento, mas ainda pouco reconhecido pela população.
“Somos o primeiro e o último profissional que a pessoa tem contato quando utiliza um medicamento”, afirmou.
Riscos da automedicação
Daniely ressaltou que a automedicação é uma prática comum e cultural no Brasil, muitas vezes baseada em indicações de terceiros ou no reaproveitamento de medicamentos guardados em casa. De acordo com ela, essa conduta pode mascarar doenças mais graves e comprometer a segurança do paciente.
No caso das canetas emagrecedoras, o risco é ainda maior. A presidente do Conselho explicou que o medicamento foi desenvolvido originalmente para o tratamento do diabetes e passou a ser usado de forma indiscriminada com finalidade estética. “É um medicamento que provoca reações importantes e precisa de acompanhamento médico, farmacêutico e nutricional”, disse.
Entre os efeitos adversos citados estão náuseas, desconforto gástrico, enxaqueca, diarreia e perda de massa muscular, especialmente quando o uso não é monitorado. A situação se agrava, segundo Daniely, pelo acesso irregular ao produto, muitas vezes adquirido fora do Brasil, sem controle de armazenamento e transporte adequados.
A importância do acompanhamento profissional
“A gente se preocupa muito com o caminho que esse medicamento percorre até chegar ao consumidor final. Temperatura, acondicionamento e procedência fazem toda a diferença”, afirmou.
A presidente do Conselho também chamou atenção para o aumento do uso do medicamento por pessoas jovens e reforçou que o foco no resultado estético não pode se sobrepor à saúde. “O medicamento existe para tratar doenças, não para ser utilizado sem critério”, pontuou.
No Dia do Farmacêutico, Daniely Proença defendeu que a população busque orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento. “O farmacêutico é um profissional formado, com conhecimento técnico, preparado para orientar e garantir o uso seguro dos medicamentos”, concluiu.