
O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização e combate à hanseníase. Para falar sobre o tema, o Jornal da Manhã recebeu o professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Edirlei Machado, e a enfermeira Taise Cezorzimo, coordenadora do Programa Municipal de Controle da Hanseníase.
Os profissionais explicaram que a hanseníase é uma doença infectocontagiosa, causada por uma bactéria, considerada um problema de saúde pública não pela mortalidade, mas pelas sequelas que pode provocar.
“A maior preocupação é porque a bactéria atinge a pele e os nervos. Quando o nervo é comprometido, a pessoa pode desenvolver incapacidades físicas, e é isso que queremos evitar”, explicou Edirlei.
Segundo Taise, em 2025, foram diagnosticados 25 novos casos da doença no município.
“Pode parecer pouco, mas é um número significativo para a cidade. Após um treinamento com o Ministério da Saúde, conseguimos capacitar todos os profissionais das unidades de saúde, o que contribuiu para identificar mais casos”, destacou.
Ela lembra que o Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia.
Um dos maiores desafios, segundo os profissionais, é a falta de informação da população. A hanseníase apresenta sintomas muitas vezes sutis, o que dificulta o diagnóstico precoce.
O principal sinal é o surgimento de manchas na pele, que podem ser:
- Claras
- Avermelhadas
- Escuras
- Amarronzadas
O fator mais importante é a perda de sensibilidade no local da mancha.
“Se a pessoa toca e não sente dor, calor ou frio, isso é um sinal clássico da doença”, alertou Edirlei.
Além disso, outros sintomas também devem ser observados:
- Formigamento em braços e pernas
- Fraqueza muscular
- Dificuldade para segurar objetos
Há ainda casos em que a doença atinge apenas os nervos, sem aparecer manchas, o que reforça a importância da avaliação médica.
Os profissionais explicaram que o termo “lepra” não é mais utilizado oficialmente no Brasil desde a década de 1990, por força de lei, devido ao forte estigma associado à palavra.
“Muitas pessoas ainda se assustam ao receber o diagnóstico, porque associam a doença ao passado, quando não havia tratamento. Hoje a hanseníase tem cura”, reforçou Edirlei.
Segundo eles, o diagnóstico tardio ainda é uma realidade, o que pode resultar em sequelas permanentes.
Para este mês, estão programadas ações de conscientização, como uma roda de conversa na Clínica Escola da UFMS com pacientes em tratamento, com o objetivo de:
- Esclarecer dúvidas
- Reduzir preconceitos
- Incentivar a adesão ao tratamento
Além disso, ao longo do ano, equipes irão percorrer as unidades de saúde para capacitar profissionais e fortalecer a busca ativa por casos.
“A hanseníase não é um problema só de janeiro. O trabalho precisa acontecer o ano inteiro”, destacou Taise.
O tratamento é gratuito, oferecido pelo SUS, e garante a cura quando iniciado precocemente. Por isso, ao perceber qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima.