
Mais do que um carro, o Fusca é considerado uma verdadeira lenda sobre rodas. Celebrado em 20 de janeiro, o Dia Nacional do Fusca marca a data em que o modelo começou a ser fabricado no Brasil, em 1959, pela Volkswagen.
Desde então, o automóvel conquistou gerações e se tornou parte da memória afetiva de milhares de brasileiros. Criado na Alemanha por Ferdinand Porsche, o Fusca atravessou décadas mantendo seu charme, resistência e simplicidade.
A produção nacional seguiu até 1986, quando o modelo foi substituído pelo Gol. No entanto, em 1993, o então presidente Itamar Franco solicitou o retorno do veículo ao mercado como opção popular. A Volkswagen atendeu ao pedido e voltou a fabricar o modelo até 1996, quando ocorreu o encerramento definitivo da produção.
O que antes era um carro acessível, hoje se transformou em objeto de desejo para colecionadores. Encontrar alguém disposto a vender um Fusca é tarefa difícil. Em Três Lagoas, a equipe de reportagem encontrou um modelo 1972, considerado uma raridade. O proprietário, inclusive, preferiu não conceder entrevista para evitar possíveis ofertas.
Segundo dados do Detran-MS, o estado possui mais de 21 mil Fuscas cadastrados. Deste total, 941 veículos estão em Três Lagoas, número que demonstra a força do modelo na região.
O jornalista automotivo Paulo Cruz explicou a relevância do Fusca para a história do setor automotivo.
“O Fusca nasceu nos anos 30, foi moldado para a guerra e sobreviveu ao maior conflito da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Depois disso, ganhou o mundo como o Volkswagen, o carro do povo”, explicou.
Ele relembra que o modelo começou a ser fabricado em um galpão simples no bairro Ipiranga, em São Paulo, e rapidamente despertou o interesse da população.
“Era um carro democrático. Cabiam cinco pessoas, subia serra, era resistente. O pessoal brincava que com uma chave 13, uma chave de fenda e um arame dava pra consertar na beira da estrada”, contou.
Essa simplicidade transformou o Fusca em sucesso absoluto e ajudou a popularizar o sonho do primeiro carro para milhares de famílias brasileiras.
Mesmo após décadas fora de linha, o Fusca segue rodando pelas ruas e conquistando admiradores. Existem clubes espalhados pelo Brasil e pelo mundo dedicados à preservação do modelo.
Em Três Lagoas, a pecuarista Viviane Jussara Zacarias mantém um Fusca 1968 como verdadeiro membro da família.
“Eu gosto dele, gosto de andar com ele. É bem diferente de carro novo. Ele é da família”, afirmou.
Viviane conta que por onde passa chama atenção.
“Muita gente para, pergunta se vende, tira foto. As crianças gostam muito e as pessoas mais velhas também”, disse.
Quando questionada se venderia o carro, a resposta é direta:
“Não vendo. Ele é da família”.
O veículo que nasceu em tempos de guerra acabou se tornando símbolo de paz, afeto e nostalgia. O Fusca segue emocionando apaixonados por carros e mantendo viva a história de um dos modelos mais icônicos da indústria automobilística.