
À s vésperas do início do Campeonato Estadual, marcado para o dia 18, o futebol sul-mato-grossense inicia a temporada de 2026 em meio a mudanças e expectativas. Com clubes apostando em renovação, discussão sobre premiação e melhorias na infraestrutura, o presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Estevão Petrallás, analisa o momento do futebol estadual e aponta caminhos para fortalecer a competição
Qual a expectativa da Federação para o Campeonato Estadual deste ano?
Estevão Petrallás - A expectativa é muito grande. Os clubes começaram a entender que precisam se renovar dentro de campo, investir em atletas com melhor condição técnica. Os gramados, com exceção ainda de Campo Grande, estão muito bons e com estrutura adequada. No próximo sábado (17), a Federação fará o lançamento oficial do Campeonato Estadual em um evento na Câmara Municipal de Campo Grande, que antecede a abertura da competição. Nesse lançamento, há grande expectativa em relação à premiação, que será anunciada oficialmente, incluindo o troféu e os valores em dinheiro, com a presença de dirigentes e autoridades. No domingo seguinte, já teremos Pantanal SAF e Operário Futebol Clube em campo. Ainda estamos em discussão por conta dos direitos de transmissão e de imagem, mas acredito que essa situação será resolvida nos próximos dias. E uma notícia importante para o torcedor é que o Jacques da Luz está sendo preparado para receber o público no jogo de abertura.
Pela sua fala, são muitas mudanças. O senhor acredita que 2026 pode ser um ano de virada de chave para o futebol sul-mato-grossense?
Estevão Petrallás – Sem dúvida. Quando assumimos a gestão da Federação, existia um trauma, inclusive de ordem policial, em relação à administração anterior da Federação. A opção que tivemos foi olhar para frente, para o para-brisa, e não para o retrovisor. A sociedade percebeu essa mudança. Hoje conseguimos recuperar a credibilidade e despertar o interesse de parceiros em investir no futebol. O futebol é um grande instrumento de inclusão social. As pessoas não podem só trabalhar; no fim de semana precisam de lazer, de alegria. Nós não temos praia, o carnaval é curto, então o futebol cumpre esse papel.
O senhor acredita, então, que estamos caminhando de fato para o resgate do Morenão em Campo Grande?
Estevão Petrallás - Sou muito otimista. Falei isso ao governador Riedel (PP): a ideia inicial é reabrir o Jacques da Luz, que ficou paralisado por indefinições burocráticas. A Federação tem uma atuação mais versátil, e o estádio na Moreninhas está sendo preparado, com bancos de reserva novos, cabine de imprensa com vidro e ar-condicionado, melhorias nos vestiários. Mas o segundo passo é trazer de volta o grande palco, o Estádio Morenão. Precisamos disso. Defendi também que, no futuro, o Estado construa um terceiro estádio. O otimismo é o que move essa retomada. Não falo em repetir os anos 1970, mas acredito que seja possível colocar 10 ou 12 mil pessoas no Morenão a partir de maio de 2026, inclusive para receber jogos do Campeonato Brasileiro, especialmente da Série D, com clubes como Pantanal SAF e Operário.
O que existe hoje de concreto para essa retomada do Morenão?
Estevão Petrallás – Houve um avanço histórico. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) autorizou, por meio do conselho gestor, que o Estado possa assumir a gestão do estádio por 35 anos. Isso nunca tinha acontecido. A partir disso, a Federação se colocou à disposição para assumir toda a parte inferior: campo, irrigação, vestiários, bancos de reserva, banheiros. O governo ficaria responsável por outras áreas, como a iluminação, inicialmente com reparos. Acredito que o passo inicial precisa ser dado ainda agora, em janeiro.
Falando dos clubes, como avalia o potencial dos clubes, principalmente, os do interior em 2026?
Estevão Petrallás – Não tenho dúvida do potencial. São dez clubes na elite do futebol estadual. O Corumbaense, por exemplo, está montando elenco e fez reforma no estádio Arthur Marinho. Em Ivinhema, Naviraí e Costa Rica, o futebol mobiliza a população. Todos esses clubes já foram campeões estaduais. Campo Grande ainda precisa resgatar essa força, especialmente com o Comercial, que hoje disputa a Série B. Mas o que vejo é um investimento crescente na qualidade técnica e, principalmente, na gestão. Esse é o grande desafio: não adianta ter um time sem estrutura. É preciso gestor, marketing, parceiros.
Essa mudança de mentalidade passa também pela profissionalização dos clubes?
Estevão Petrallás – Totalmente. Estamos trazendo uma pessoa de São Paulo para apresentar aos dirigentes conceitos de marketing e gestão. A Federação está se envolvendo para ajudar clubes do interior a se organizarem melhor. O horizonte é positivo. O interior entende o futebol como alegria da população. Em Campo Grande ainda existe certa frieza histórica em relação ao esporte. Isso é um desafio que precisamos enfrentar. O futebol precisa ser tratado como instrumento social e cultural.
As SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) podem mudar o cenário do futel sul-mato-grossense?
Estevão Petrallás – A SAF (modelo empresarial para clubes) virou uma tendência no Brasil, mas não é solução para tudo. Você precisa de investidor, mas principalmente de um gestor profissional. Muitas vezes o gestor nem é torcedor do clube, mas sabe administrar. Essa organização é a segunda etapa da nossa gestão na Federação. Não adianta uma Federação forte com clubes fracos. O objetivo é distribuir essa força de forma igualitária entre todos os filiados.
E sobre a Série B, existe a possibilidade de Três Lagoas voltar a ter um representante?
Estevão Petrallás – Sim. Criamos a a Copa MS, que será disputada no segundo semestre. Participam clubes da Série A e da Série B que estejam em atividade. É uma terceira competição, que preenche uma lacuna do calendário. A Copa MS também dará uma vaga para a Copa do Brasil, desde que o clube tenha disputado o Campeonato Estadual. A ideia é movimentar o futebol durante quase todo o ano, trabalhando pelo menos dez meses com calendário ativo. Três Lagoas é um polo importante e não pode ficar fora do futebol estadual. Pela estrutura da cidade, pelo Estádio Madrugadão e pela tradição, é fundamental ter um clube representando a região leste. A Federação esteve no município conversando com o prefeito, secretários e dirigentes locais. A proposta é que a própria sociedade ajude a definir o melhor representante. Há conversas para que o Misto regularize sua situação e, quem sabe, dispute a Série B em 2026. O mais importante é que Três Lagoas esteja novamente inserida nesse processo de retomada do futebol sul-mato-grossense.