As obras do contorno rodoviário de Três Lagoas permanecem paradas desde o fim de 2024. A suspensão, que começou por causa do período chuvoso, deveria ter sido revertida no início deste ano, mas a retomada não ocorreu. A empresa responsável pela execução alega desequilíbrio financeiro em função de divergências entre o projeto e as condições práticas de execução.
De acordo com o engenheiro do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Três Lagoas, Milton Rocha Marinho, o impasse gira em torno do fornecimento de brita e areia. Pelo projeto inicial, esses materiais deveriam ser extraídos pela empreiteira, mas, diante das dificuldades ambientais e legais para a exploração de jazidas, a construtora optou pela compra direta, que se mostrou bem mais cara.
“A empresa assinou o contrato assumindo a responsabilidade pela produção dos materiais. No entanto, ao iniciar a obra, optou por comprá-los, o que gerou custos maiores. Por isso, reivindica agora que esse fornecimento seja considerado como material comercial, e não mais produzido”, explicou.
Segundo Marinho, o Dnit avalia se é possível conceder o reequilíbrio econômico-financeiro dentro dos limites legais. Caso contrário, restam duas opções, a empresa seguir com o contrato, mesmo com prejuízo, ou a rescisão contratual com abertura de nova licitação.
“É uma situação complexa. O ideal é que haja um acordo, porque a rescisão traria mais atraso”, disse.
Recursos
O engenheiro informou que há recursos em caixa para a retomada imediata. Aproximadamente R$ 33 milhões já foram liberados por emendas parlamentares, garantindo pelo menos dois meses de obras. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciou a destinação de R$ 200 milhões ao projeto, mas o valor ainda não foi incluído oficialmente no orçamento. Atualmente, o saldo a ser executado está em torno de R$ 150 milhões.
Avanços
Até agora, cerca de 50% do contorno rodoviário foi concluído, com 15 quilômetros pavimentados em concreto. O projeto prevê sete obras de arte especiais, seis viadutos e uma ponte sobre o Córrego do Onça, que devem ser executadas simultaneamente após a retomada.
Outro entrave que já foi superado é em relação a desapropriação de áreas no Cinturão Verde. Um acordo com os moradores resultou no pagamento de indenizações pelas benfeitorias realizadas, com apoio do Judiciário.
OBRA
O contorno rodoviário é considerado estratégico para a mobilidade e o crescimento urbano de Três Lagoas. A expectativa é que ele desvie o tráfego pesado da avenida Ranulpho Marques Leal, trazendo mais segurança viária e fluidez no trânsito.
“É uma obra de engenharia rodoviária moderna, com pavimento em concreto, iluminação em pontos estratégicos e interseções planejadas. A população só vai sentir o impacto real quando os viadutos estiverem prontos”, destacou Marinho.
Para o engenheiro, apesar da complexidade do processo, não há dúvidas sobre a relevância do investimento.
“Essa obra tem valor técnico inquestionável. Se não for concluída, o sistema viário da cidade não suportará o crescimento futuro”, concluiu.