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Um tempo difícil

Confira o editorial do Jornal do Povo deste sábado

Por Daiana Oliveira
11/09/2021 • 06h00
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O Brasil ao longo dos últimos dois anos tem vivido um debate estéril e desconstrutivo dos Poderes da República. Vivemos sob a égide do Estado de Direito. Não há como e nem podemos rasgar a Constituição da República, mesmo com as suas imperfeições. Divergir, sim, desrespeitá-la, jamais como disse o velho Ulisses ao promulgá-la em 5 de outubro de 1988. É incontestável, trata-se da mais estável Constituição Federal da história republicana. É o Congresso Nacional o foro legítimo para repercutir os anseios da nacionalidade. Mas, não nos esquecemos, somos nós os eleitores que elegemos os nossos representantes – os seus integrantes, embora, muitos eleitores sequer lembram em quem votaram e porque votaram. Melhor seria diante da constatação que adotássemos a desobrigação do voto que passaria a ser exercício espontâneo de cidadania. Vai às urnas quem tem consciência cívica da importância e relevância do voto. Assim, certamente, os interesses rasteiros do toma lá da cá entre candidatos e eleitores, seria sepultado para dar realce àqueles candidatos que efetivamente preparados para o exercício do mandato no Executivo ou no Legislativo, sejam eleitos pelo sufrágio universal do voto livre e secreto. E, consequentemente exercerem com proficiência e dignidade o mandato outorgado nas urnas. É indispensável  a investidura em cargos eletivos de pessoas capazes para o exercício desse “múnus publico”, que exige descortino, sensibilidade para interpretar as aspirações populares, e sobretudo, habilidade para falar, ouvir e administrar, além de ter disposição para renunciar as possíveis benesses e confortos do cargo. Estar focado na administração pública e nos seus objetivos para se alcançar o bem estar social e econômico dos  representados é condição básica na esfera de atuação de qualquer parlamentar ou de administrador. Entretanto, infelizmente, não é esse o momento vivido no país, quando um líder – presidente da República, joga forte com atuação exacerbada nas redes sociais para verbalizar ataques à mão cheia, os quais não contribuem para as mudanças acalentadas pelos seus seguidores e nem pela maioria da gente brasileira. Nada acontecerá passando-se por cima do ordenamento jurídico e com agressões verbais aos poderes constituídos – o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal e seus integrantes, aos quais cumpre interpretar e fazer valer os ditames da Constituição, que jamais será rasgada em qualquer país onde impera a democracia, inclusive aqui no Brasil. Incorre em equivoco pensar que pela força bruta nossas instituições serão fragilizadas. O Brasil é um país amadurecido, não vale a pena relembrar os anos de chumbo vividos no passado que vai distante e muito menos pedir a intervenção de forças militares, que dão mostras de extremo comprometimento com os postulados da democracia, resistindo às conclamações de uma minoria que teima em desconhecer a força da lei. Afrontar prerrogativas asseguradas na Constituição Federal, tratadas no título dos Direitos e Garantias Fundamentais – direitos e deveres, individuais e coletivos previstos em seu artigo 5º e seguintes, é desconhecer a força da legalidade entranhada na alma da gente brasileira. Não vale a pena atacar o presidente da República. O que nos resta diante do seu recuo e da desilusão que impôs aos seus seguidores depois do infeliz discurso na avenida Paulista, recheado de  ataques e vitupérios proferidos  contra autoridades da República é aceitar o exame de consciência que ele próprio fez e recolher nesse gesto a manifestação de arrependimento concretamente externada no Comunicado à Nação. O fato é que deu sinais de que é tempo de desarmar os ânimos quando buscou o aconselhamento do ex-presidente Temer. Que a paz e harmonia sejam duradoras para o bem estar e desenvolvimento do país. E que esse tempo difícil que estamos vivendo seja um tempo do passado, representado na recuperação da economia, no combate da inflação e da fome, na geração de emprego e renda, na estabilidade da moeda e no restabelecimento da importância do Brasil no contexto das nações civilizadas. 

 

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