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INTERROMPEU SESSÃO!

Marcos Pollon passa mal e interrompe sessão do Conselho de Ética

Marcos Pollon passa mal durante sessão do Conselho de Ética que apura ocupação do plenário da Câmara. Veja os detalhes!

Deputado Marcos Pollon sentado, sendo atendido após mal-estar em reunião do Conselho de Ética da Câmara
Marcos Pollon deixa reunião do Conselho de Ética após relatar mal-estar e encerrar a sessão em Brasília.

Na manhã desta quinta-feira (11), o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) passou mal durante reunião do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e acabou provocando o encerramento dos trabalhos. O colegiado colhia depoimentos em processos disciplinares relacionados à ocupação da mesa do plenário, episódio que paralisou as votações por mais de 30 horas. Assim, a sessão, que tratava de um caso politicamente sensível, foi interrompida de forma abrupta.

A reunião do Conselho foi interrompida e, em seguida, encerrada depois que o parlamentar pediu atendimento médico e relatou que não se sentia em condições de continuar. Segundo o próprio deputado, o mal-estar ocorreu em meio às oitivas que tratam do protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dessa maneira, o avanço da fase de depoimentos acabou prejudicado na data de hoje.

Como aconteceu

Em sua fala, Pollon atribuiu o quadro a uma condição neurológica específica e à falta de sono. Além disso, ele afirmou que sofre hiperestimulação e, por causa disso, não consegue dormir quando é submetido a forte carga emocional. “Estou literalmente desde terça-feira sem dormir”, declarou, ao justificar a dificuldade de se manter na sessão. Ainda de acordo com o deputado, a situação teria se agravado ao longo da manhã.

Antes de deixar o local, o parlamentar relatou dificuldade para falar e organizar o pensamento. Por isso, ele tentou explicar aos colegas que aquele não seria o seu comportamento habitual. Segundo Pollon, em condições normais ele fala de maneira mais rápida e fluida, mas não estava conseguindo concatenar as ideias. Enquanto isso, o clima na reunião ficou visivelmente tenso, diante da combinação entre o mal-estar físico e o peso político dos processos em curso.

Durante a mesma sessão, o deputado também reclamou de não ter seu direito de ampla defesa plenamente assegurado. Ele mencionou a desistência do advogado que o representava e criticou a condução dos trabalhos, citando a falta de um intervalo para almoço durante a sequência de oitivas. Nesse contexto, Pollon argumentou que, sem defesa técnica e sem pausa adequada, ficaria prejudicado na tentativa de se posicionar sobre as acusações.

Conselho de Ética investiga a conduta de parlamentares

O Conselho de Ética analisa a conduta de parlamentares que participaram da manifestação em que houve ocupação da mesa diretora e bloqueio dos trabalhos do plenário da Câmara. Segundo as representações encaminhadas, o protesto durou mais de 30 horas e teve como motivação a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Assim, os deputados investigados respondem por atos ligados à obstrução deliberada do funcionamento da Casa.

As representações foram encaminhadas ao colegiado pela Mesa Diretora, após recomendação da Corregedoria da Câmara, chefiada pelo deputado Diego Coronel (PSD-BA). A partir desse movimento, foram abertos processos disciplinares contra Marcos Pollon, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Desse modo, o Conselho passou a avaliar se houve quebra de decoro parlamentar na ocupação do plenário e na tentativa de impedir a atuação da presidência.

Detalhes das ações disciplinares contra Marcos Pollon

No caso específico de Pollon, os parlamentares analisam duas ações disciplinares. Uma delas pede suspensão de 90 dias, em razão de declarações consideradas difamatórias contra o presidente do Conselho, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A outra solicita suspensão de 30 dias, ligada à obstrução da cadeira de presidente durante o protesto. Já Van Hattem e Zé Trovão respondem a pedido de suspensão por 30 dias, também por terem impedido Hugo Motta de assumir a condução dos trabalhos.

Com o encerramento antecipado da reunião desta quinta-feira, os depoimentos e debates sobre as punições ficaram, por ora, interrompidos. Ainda assim, os processos disciplinares continuam tramitando no Conselho de Ética da Câmara, que terá de retomar a análise das representações em nova data. Enquanto isso, o episódio do mal-estar de Marcos Pollon passa a se somar às tensões políticas que cercam o julgamento da ocupação do plenário.