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ECONOMIA

R$ 80 bilhões em investimentos privados mudam perfil econômico de MS

Volume aplicado na indústria, no agronegócio e em serviços impulsiona geração de empregos, eleva a renda média e amplia a abertura de empresas em Mato Grosso do Sul

Volume aplicado na indústria impulsiona geração de empregos - Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo
Volume aplicado na indústria impulsiona geração de empregos - Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com indicadores que apontam avanço na atividade econômica, aumento da renda e expansão do mercado de trabalho. O Estado soma mais de R$ 80 bilhões em investimentos privados, concentrados principalmente nos setores industrial e agropecuário.

Parte desse volume está relacionada à instalação de grandes plantas de papel e celulose em municípios como Inocência e Bataguassu. O setor industrial figura entre os que mais cresceram no país, enquanto o agronegócio mantém participação relevante no desempenho estadual.

Relatório do Banco do Brasil apontou Mato Grosso do Sul como o segundo estado com maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, com estimativa de 5,9%. O levantamento considera projeções regionais e indicadores econômicos.

Crescimento econômico e renda em alta

No mercado de trabalho, Mato Grosso do Sul apresenta uma das maiores rendas médias do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam rendimento mensal médio de R$ 3.469, o oitavo maior do Brasil.

Máquinas a todo vapor fazendo a colheita da soja (Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo)

A produção agropecuária também teve crescimento no período. Em 2025, o valor superou R$ 76,3 bilhões, segundo dados oficiais. O Valor Bruto da Produção (VBP) deve registrar alta superior a 23% em relação ao ano anterior.

A agricultura responde por cerca de 63% do VBP estadual, com destaque para soja, milho e cana-de-açúcar. A pecuária representa pouco mais de 36%, impulsionada principalmente pela bovinocultura, além das cadeias de frango e suínos.

Programas educacionais e permanência nos estudos

Além dos dados econômicos, levantamentos nacionais indicam avanço em mobilidade social. O Atlas da Mobilidade Social, do Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), aponta Mato Grosso do Sul como líder no ranking de oportunidades de ascensão socioeconômica.

Um dos fatores citados nesse contexto é a existência de programas de permanência estudantil. Entre eles está o MS Supera, que concede bolsa mensal a alunos em situação de vulnerabilidade.

Entre os atendidos está Daniel de Oliveira Ezidio, estudante de Medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Natural de Aquidauana, ele utiliza o auxílio para manter os estudos em Campo Grande.

“Tenho desejo de voltar para a minha comunidade com a prática da Medicina e atender o meu povo”, afirmou o estudante.

Antes de receber o benefício, Daniel conciliava a graduação com trabalho noturno. Ele atuava em uma pizzaria durante a madrugada e frequentava as aulas no período diurno.

EJA Mulher amplia acesso à educação

Outra iniciativa voltada à educação é o programa EJA Mulher, desenvolvido na Capital, dentro da modalidade de Educação de Jovens e Adultos. A proposta atende mulheres que retomam os estudos após interrupções ligadas à maternidade, trabalho ou situações de vulnerabilidade.

A estudante Beatriz Resende de Barros, de 26 anos, integra o programa e voltou à sala de aula após o nascimento dos filhos. Ela frequenta as aulas acompanhada da filha mais nova.

“O diretor permitiu que eu trouxesse a minha filha para a sala, e isso fez toda a diferença”, relatou. “Meu sonho é concluir o ensino médio, fazer Engenharia Civil e dar um bom exemplo para meus filhos.”

Abertura de empresas e geração de empregos

O avanço da atividade econômica acompanha a abertura de empresas no Estado. Dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) mostram que, em 2025, foram registrados 13.143 novos negócios.

O setor de serviços concentrou a maior parte das aberturas, com 75,5% do total. O comércio respondeu por cerca de 21%, enquanto a indústria representou 3,6%.

No emprego formal, Mato Grosso do Sul mantém uma das menores taxas de desocupação do país. O índice ficou em 2,9%, o quarto menor nacional, segundo o IBGE.

Entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, o saldo foi positivo em mais de 16 mil vagas formais, conforme dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

*Com informações do Governo de MS