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Secretaria de Saúde revisa plano de especialidades e reajusta valores no Estado

Resoluções atualizam quantitativos e redistribuem vagas após inconsistências entre produção real e valores previstos, com efeito imediato.

Documentos oficiais da SES com tabelas de procedimentos e mapa de MS destacando regiões de saúde
Resoluções da SES atualizam Planos de Ação Regional para alinhar oferta de procedimentos e orçamento em quatro regiões. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) atualizou, nesta quinta-feira (8), os Planos de Ação Regional (PAR). Eles organizam consultas e exames especializados nas regiões Centro, Nordeste, Leste e Sul Fronteira. A medida mira um ponto sensível: corrigir inconsistências técnicas. Essas inconsistências, na prática, vinham colocando a produção de procedimentos e a previsão financeira dos lados diferentes. Essas previsões foram definidas em resoluções anteriores, publicadas em abril e junho de 2025.

Nas publicações oficiais, foi indicado que a quantidade real de procedimentos ofertados não correspondia ao montante financeiro. Esse montante havia sido fixado nas tabelas originais. Como resultado, um descompasso passou a existir entre o que era executado ou planejado, e a verba prevista. Isso exigiu ajustes para evitar risco de interrupção e reforçar a sustentabilidade do atendimento.

Sobre a correção de valores e quantidades

Para corrigir a distorção, foram homologadas decisões da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Houve redistribuição de vagas entre municípios e revisão de quantitativos por especialidade. Além disso, a atualização foi amarrada a uma portaria federal de outubro de 2025. Essa portaria aprovou aditivos relacionados ao programa, reforçando a base administrativa usada pela SES para reorganizar a oferta.

O foco das mudanças recai sobre a Oferta de Cuidado Integral (OCI). Em vez de uma consulta isolada, a OCI funciona como um “pacote” de cuidados que reúne consultas, exames e tecnologias. A intenção é concluir etapas do diagnóstico ou do tratamento de forma mais rápida e resolutiva. Assim, o planejamento deixa de olhar apenas para procedimentos soltos. Passa a medir entregas completas ao paciente, mas dentro do orçamento possível.

Região Centro concentra maior volume

Na Região Centro, que inclui Campo Grande e entorno, o plano ajustado prevê R$ 2.564.280,00 por ano para 15.060 procedimentos (OCIs). A SES também aponta prestadores de referência para a continuidade dos cuidados, citando instituições como o HUMAP, a Hospital de Amor e o Hospital São Julião. O destaque é para absorção de demandas em áreas como oftalmologia e cardiologia.

Nordeste tem 10,8 mil procedimentos

Na Região Nordeste, que abrange municípios como Paranaíba, Chapadão do Sul e Costa Rica, o ajuste estabelece R$ 1.687.200,00 anuais para 10.800 procedimentos. De acordo com o recorte apresentado, a oferta se concentra em especialidades como cardiologia, ortopedia e oftalmologia. Os atendimentos são distribuídos em unidades municipais, a exemplo de estruturas como a UBS Manoel Rodrigues da Silva, em Aparecida do Taboado.

Três Lagoas | Novos valores

Na Região Leste, cujo polo é Três Lagoas, o plano foi ajustado para R$ 649.980,00 ao ano, cobrindo 4.392 procedimentos. Além de Três Lagoas, entram no desenho municípios como Bataguassu e Água Clara. Nesse recorte, o direcionamento do atendimento reforça áreas como cardiologia, ortopedia e otorrinolaringologia.

Sul Fronteira revisa oferta em áreas críticas

Na Região Sul Fronteira, que engloba municípios como Ponta Porã, Naviraí e Amambai, o plano atualizado estipula R$ 266.400,00 por ano para 1.620 procedimentos. Também foram citadas habilitações de prestadores como o Hospital Regional de Amambai e centros de especialidades em Naviraí e Ponta Porã. Eles cobrem especialidades consideradas críticas, como oftalmologia e otorrinolaringologia.

Valores por pacote e prioridades assistenciais

As tabelas retificadas detalham quanto é pago por cada tipo de OCI, o que ajuda a explicar o realinhamento financeiro. Em cardiologia, por exemplo, a avaliação de risco cirúrgico aparece com valor de R$ 130,00 por OCI, enquanto uma avaliação cardiológica completa é tabelada em R$ 200,00. Já na oncologia, na Região Centro, procedimentos mais complexos, como a progressão da avaliação diagnóstica de câncer de mama, chegam a R$ 400,00 por OCI. Em ortopedia, avaliações diagnósticas que incluem tomografia têm valor de R$ 230,00, enquanto em oftalmologia a avaliação inicial para pacientes a partir de 9 anos é indicada em R$ 160,00 por OCI.

Regulação também recebe recursos

Além da assistência, as resoluções também preveem verbas para os Núcleos de Gestão e Regulação (NGR), responsáveis por organizar fila e acesso aos serviços. Para a Região Centro (Campo Grande), o valor indicado é de R$ 1.200.000,00. Já regiões como Três Lagoas e Ponta Porã aparecem com cifras na casa de R$ 380.000,00 e R$ 360.000,00, respectivamente.

Com vigência imediata, as novas regras revogam disposições contrárias de resoluções de 2025. Elas buscam dar mais transparência ao planejamento. Assim, evitam que a oferta de procedimentos caminhe além do orçamento disponível. Na prática, o objetivo é manter o “Agora tem Especialistas” funcionando com previsibilidade. Enquanto isso, a distribuição regional é recalculada para refletir a produção e o custeio de forma mais coerente.