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Campo Grande, 17 de agosto

Conflito entre polícia e indígenas no sul de MS deixa nove feridos

Atos de retomada de terras reivindicadas pelos indígenas são os estopins para conflitos no Conesul sul-mato-grossense

Por Nyelder Rodrigues
24/06/2022 • 15h30
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Seis indígenas e três policiais ficaram feridos durante uma ação do BPChoque (Batalhão de Polícia Militar de Choque) em Amambai, município da região sul de Mato Grosso do Sul e localizado a 351 km da capital Campo Grande. O confronto ocorreu durante ação de reintegração de posse de fazenda na qual os indígenas se instalaram.

A área particular fica dentro do território reivindicado Guapo'y Mirim, nas cercanias da região conhecida como Sertãozinho, aos fundos da Aldeia Amambai. A tensão na região vem crescendo há aproximadamente um mês, quando atos de retomada foram iniciados.

Os indígenas entraram e se instalaram na fazenda - que não teve o nome revelado - e expulsaram os moradores dali no fim de maio. Porém, após negociação com a polícia local, os indígenas saíram da propriedade, mas permaneceram nas redondezas.

Já nesta sexta-feira (24), pela manhã, equipes do BPChoque da Capital foram acionadas para se deslocarem para a ação de reintegração em Amambai. Contudo, até o momento, não há informações se a ação se trata ou não de um cumprimento de ordem judicial.

Todos os nove feridos foram encaminhados para o Hospital Regional de Amambai, conforme apurado pela reportagem da CBN Campo Grande, com gravidade média e sem risco de morte. Dois indígenas devem ser transferidos para Dourados ainda hoje. Por ora, segundo a Polícia Civil amambaiense, não houve informe de mortos por causa do conflito.

Extraoficialmente, foi apurado que entre os seis indígenas, cinco são menores de 18 anos. Os ferimentos vão desde perfurações na barriga até fraturas ósseas. No perfil da Assembleia Geral dos Povos Guarani e Kaiowá, são postadas várias imagens de indígenas feridos por, aparentemente, munições não letais. Entre os feridos também há mulheres. 

Os relatos da mídia local são de que o conflito continua, com intensa movimentação de policiais e indígenas na área a ser reintegrada. A reportagem tentou contato com entidades indígenas para o obter mais detalhes, mas até o fechamento do texto não conseguiu êxito. 

Já em contato com o comandante do BPChoque, o tenente-coronel Rigoberto Rocha da Silva, foi explicado apenas que ele está a caminho da região. Sem sinal de celular, não foi possível obter mais informações. A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) convocou uma coletiva de imprensa para falar sobre o conflito, nesta tarde.

NAVIRAÍ

Próximo de Amambai, também há relatos denunciados pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) que um grupo de indígenas que retomou território reivindicado como ancentral na quinta-feira (23) sofre ataques armados, na tentativa de retirá-los local - os mesmos frisam que fazendeiros e seguranças são os responsáveis pelos atos.

Denomidado Kurupi, o local fica dentro do macro território Dourados-Amambai Pegua II. Lideranças dali denunciaram que três pessoas estão desaparecidas, sendo ela mulheres e crianças. Contudo, até o momento, não há confirmação da situação.

A PF (Polícia Federal) junto ao MPF (Ministério Público Federal) está a caminho da área, nesta tarde, para checar os fatos e verificar os desaparecimentos. Contudo, não houve ainda nenhum acionamento referente à situação em Amambai.

 

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