RÁDIOS
Campo Grande, 22 de fevereiro

Em meio a calor de 40°C, iniciativas visam uso racional da água e preservação

Em tempos de altas temperaturas, a rotina de muitos sul-mato-grossenses mudou e o reaproveitamento de água ganhou força

Por Chris Reis e Isabela Duarte
15/11/2023 • 18h00
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Os dias estão cada vez mais quentes e a máxima, na maioria dos municípios de Mato Grosso do Sul, tem ultrapassado os 40ºC. Com a chuva praticamente inexistente e a umidade relativa do ar em baixa - agravando a sensação de calor - as famílias têm mudado a rotina e consumido mais água.

Medidas como usar a água da máquina de lavar para limpeza da calçada e sistemas que captam água da chuva são importantes contribuições para a preservação do bem, não só no período das ondas de calor.

Na casa da técnica de enfermagem, Fernanda Melo, sobreviver ao calor extremo é sinônimo de mais hidratação e mais banhos, mas também de atenção para evitar desperdício e controlar o valor da conta de água.  "A gente tenta ocupar a água da máquina de lavar para lavar o quintal, para limpeza da casa".

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De iniciativas simples, como a que a Fernanda adota, a um sistema mais robusto, é possível preservar. Em um condomínio horizontal a água da chuva é reaproveitada para cuidado da área comum dos moradores. A iniciativa do residencial, em Campo Grande, ajuda no reaproveitamento e preservação desde 2012, com 37 casas usufruindo do sistema.

Tecnologia do condomínio é subterrânea - Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

Quando o processo foi instalado, o síndico, Djalma Mazali Alves, acreditou em seu portencial visionário e inovador. 

"Você pode utilizar essa água na irrigação de plantas, na limpeza de calçamento, da rua. É uma água que, na verdade, estaria indo para esgoto. Isso impacta na questão econômica do condomínio, de redução de despesa. Então, a gente vê isso como algo muito possível. E temos moradores no condomínio também que fizeram a mesma coisa. Eles captam a água dos seus telhados para utilização na área privativa deles".

Segundo o síndico, o reservatório tem capacidade para seis mil litros de água, mas ele não lembra quando foi a ultima vez que viu o espaço cheio.  

"Nesse período de seca já tem alguns que não recolhemos água significativa. A gente acaba tendo uma percepção do que efetivamente é uma seca, porque a gente não tem conhecimento disso. Aí vem o receio, da mesma forma que a chuva abastece a nossa cisterna, que é particular, ela também abastece a cisterna que é pública, que são os rios, os mananciais. Eu tenho receio disso no futuro prejudicar o abastecimento da nossa própria água. Chama a atenção da gente, da importância do consumo racional da água", conta Djalma.

Na avaliação do engenheiro ambiental e colunista de Meio Ambiente da CBN Campo Grande, Fernando Garayo, com as mudanças climáticas a palavra de ordem é "adaptação" e nesse sentido as iniciativas são válidas

"Esse reaproveitamento acaba sendo uma solução viável e sustentável. Temos a residência que capta água de chuva para fins cotidianos, que não apenas reduz a demanda sobre o abastecimento público, mas também contribui para a preservação dos recursos hídricos, uma vez que se evita que mais água seja extraída da natureza. Em segundo lugar, o condomínio, que acaba direcionando toda essa água para a irrigação de jardins e limpezas de calçadas. Essa iniciativa é coletiva e acaba refletindo um compromisso ambiental que reduz a pegada hídrica de todo aquele espaço e promove uma consciência sobre essa importância da preservação dos recursos naturais", afirma.

Garayo ainda lembra que o consumo médio de água em Campo Grande é de 156 litros por pessoa e reutilizar é uma saída sustentável. "Com a reutilização da água, a gente pode diminuir esse consumo per capita. Ao adotar o reaproveitamento da água de chuva, não apenas acabamos mitigando a escassez, mas também nos adaptamos às mudanças climáticas. Nesse caso, do reaproveitamento da água de chuva, a gente acaba nos adaptando para diminuir a pressão sobre os recursos hídricos."

 Alerta  

O governo de Mato Grosso do Sul declarou  “Situação de Emergência” nos municípios de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho, afetados por desastre, classificado e codificado como Incêndio Florestal - Incêndios em Parques, Áreas de Proteção Ambiental e áreas de Preservação Permanente Nacionais, Estaduais ou Municipais. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial de terça-feira (14).  

Nesta quarta-feira (15), os municípios de Mato Grosso do Sul voltaram a registrar temperaturas acima dos 40 ºC, como Ládário (41 ºC), Corumbá (40 ºC), Miranda (41 ºC), Aquidauana (41 ºC) e Porto Murtinho (42 ºC).

Nesta terça (14), o município de Corumbá, na região pantaneira, registrou quase 44 ºC e liderou o ranking das cidades mais quentes do país, com sensação térmica de 54 ºC, recorde no Estado. Brigadistas trabalham de forma intensa na região para combater focos de incêndio no Pantanal.

No mesmo dia, o município de Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai, teve sensação térmica de 48 ºC, marcando 44 ºC. É a maior temperatura da semana até agora. Todo Mato Grosso do Sul está sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para altas temperaturas, que devem se estender até esta sexta-feira (17).
 

*Com informações de Inmet e Climatempo

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