
O mercado global de cacau deve entrar em uma nova fase de maior equilíbrio a partir da safra 2025/26, encerrando um ciclo de déficits que marcou os últimos anos. Projeções da consultoria StoneX indicam superávit de 287 mil toneladas no período, resultado da recuperação da oferta nos principais países produtores e de uma demanda que começa a dar sinais de estabilização.
Para a safra 2026/27, a expectativa permanece positiva, com excedente estimado em 267 mil toneladas. Segundo a consultoria, o cenário aponta para uma recomposição gradual dos estoques e redução das tensões que impulsionaram os preços a patamares recordes recentemente.
Oferta reage com apoio da África
A retomada da produção global é puxada, principalmente, pela África Ocidental. A StoneX revisou para cima a colheita esperada na Costa do Marfim, maior produtor mundial, movimento suficiente para manter o saldo global positivo mesmo com leve ajuste negativo previsto para Gana.
No caso ganês, dados de exportação indicam desempenho melhor do que o inicialmente projetado. Cerca de 220 mil toneladas já haviam sido entregues aos portos do país até meados de novembro, afastando o risco de uma safra significativamente menor.
Ainda assim, o país enfrenta entraves estruturais, como doenças nas lavouras, necessidade de renovação de áreas produtivas e impactos ambientais decorrentes da mineração ilegal.
Política de preços influencia fluxo do produto
Um fator que tem contribuído para o aumento da oferta oficial é o preço interno pago aos agricultores. Em determinados momentos, os valores superaram as cotações internacionais, ultrapassando US$ 5 mil por tonelada.
Esse cenário reduziu o incentivo ao contrabando entre países vizinhos, prática historicamente comum na região, e favoreceu o direcionamento da produção para os canais formais de exportação.
Equador se destaca fora do continente africano
Entre os produtores fora da África, o Equador é apontado como o principal destaque. A combinação de chuvas regulares, expansão de área cultivada, maior uso de insumos e variedades mais resistentes sustenta a projeção de produção acima de 650 mil toneladas em 2026/27.
A Indonésia também deve apresentar recuperação moderada, com produção estimada em torno de 230 mil toneladas nas próximas safras, impulsionada pelos preços elevados, embora limitada por questões estruturais e climáticas.
O Peru surge com perspectivas favoráveis, apoiadas por investimentos em manejo e práticas agrícolas aprimoradas. Para outros países produtores, os preços elevados seguem funcionando como estímulo adicional à expansão da oferta.
Consumo recua, mas mostra sinais de ajuste
Do lado da demanda, a moagem global de cacau registrou retração nos últimos trimestres. No período entre outubro e dezembro de 2025, o volume processado caiu 7,7% na comparação anual.
Apesar da queda, o número superou o do trimestre anterior, comportamento que foge ao padrão sazonal e pode indicar início de estabilização. Para 2025/26, a StoneX estima moagem de 4,663 milhões de toneladas, avançando para 4,774 milhões em 2026/27.
Estoques devem se recompor
Com a volta do superávit, os estoques globais tendem a se recuperar gradualmente após o forte aperto observado em 2023/24. A relação entre estoques e consumo pode se aproximar de 40% até o fim de 2026/27, nível considerado mais equilibrado pelo mercado.
Segundo a consultoria, o setor de cacau passa por um processo de reorganização produtiva, com realocação de investimentos, expansão em regiões mais competitivas e maior alinhamento entre produção e consumo, reduzindo a volatilidade que marcou os últimos anos.