
Depois de um ano marcado por forte expansão econômica, Mato Grosso do Sul deve entrar em 2026 em um ciclo de crescimento mais moderado, porém mais equilibrado. As projeções indicam que o Estado seguirá avançando, mesmo diante da desaceleração do agronegócio, apoiado na retomada da indústria, no dinamismo dos serviços e no aumento da renda disponível das famílias.
Segundo estimativas do Banco do Brasil, o PIB sul-mato-grossense deve crescer 1,9% em 2026. O resultado representa uma acomodação após o desempenho acima da média registrado no ano anterior, quando a economia estadual foi impulsionada por uma safra agrícola excepcional.
Menor dependência do campo
A principal mudança no cenário econômico está na perda de protagonismo do agronegócio no curto prazo. Após crescimento expressivo no último ciclo, o setor deve registrar retração em 2026, reflexo da redução esperada na produção agrícola e da elevada base de comparação.
Ainda assim, a queda projetada para Mato Grosso do Sul é menor do que a prevista para o conjunto do Centro-Oeste, região que liderou a produção nacional de grãos no ano passado.
Retomada industrial muda o eixo do crescimento
Com o campo em ajuste, a indústria passa a ocupar posição central no desempenho econômico do Estado. A projeção aponta crescimento acima de 3% do PIB industrial, revertendo a retração observada no ano anterior.
Os segmentos de celulose e etanol concentram os principais vetores dessa retomada, impulsionados por novos investimentos, ampliação da capacidade produtiva e maior integração com cadeias logísticas e de serviços.
Efeito da política tributária no consumo
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda é apontada como um dos fatores mais relevantes para o desempenho da economia estadual em 2026. Ao reduzir a carga tributária sobre trabalhadores de renda média, a medida eleva o poder de compra e fortalece o mercado interno.
Em Mato Grosso do Sul, o impacto tende a ser potencializado pelo perfil do mercado de trabalho, caracterizado por alto grau de formalização. Com mais trabalhadores enquadrados na nova faixa de isenção, o estímulo ao consumo se dissemina com maior intensidade.
Emprego próximo do pleno uso
Outro destaque do relatório é o nível reduzido de desemprego no Estado, inferior a 3%. O indicador sinaliza um mercado de trabalho aquecido, com maior estabilidade de renda e condições favoráveis para o crescimento do consumo e dos serviços.
Esse cenário contribui para amortecer os efeitos negativos da desaceleração agrícola e sustentar a atividade econômica nos centros urbanos.
Serviços acompanham ritmo positivo
O setor de serviços deve manter trajetória de crescimento ao longo de 2026, ainda que em ritmo mais lento do que no ano anterior. A expansão está ligada à renda das famílias, à atividade industrial e à própria dinâmica do agronegócio, mesmo em fase de acomodação.
Centro-Oeste em transição
O movimento observado em Mato Grosso do Sul reflete uma tendência mais ampla do Centro-Oeste, onde a expectativa de queda na safra limita o avanço do PIB regional. Ao mesmo tempo, indústria e serviços seguem crescendo acima da média nacional, apoiados por investimentos e cadeias produtivas mais diversificadas.
Economia mais resiliente
Para os analistas, o cenário de 2026 aponta para uma economia estadual mais resiliente e menos dependente de resultados excepcionais do campo. A combinação entre indústria, serviços e consumo interno cria bases mais sólidas para um crescimento sustentável no médio prazo.
Mesmo em um ano de transição, Mato Grosso do Sul deve manter desempenho acima da média regional.