
A CG Solurb, concessionária responsável pela limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos de Campo Grande, deu início às etapas para a instalação de um novo aterro sanitário na Capital, com previsão de entrada em operação em 2028. O projeto propõe substituir o aterro Dom Antônio Barbosa 2, que atingirá sua capacidade máxima nos próximos dois anos.
A empresa protocolou recentemente junto à Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) o requerimento de licença ambiental para instalação de aterro sanitário para resíduos sólidos não perigosos, em área localizada na saída para Sidrolândia, na rodovia MS-455, km 0 + 500m. A análise do pedido ainda está em andamento, e a emissão da licença é condição para que as obras sejam iniciadas.
Em nota, a CG Solurb informou que o novo empreendimento, denominado Aterro Sanitário Ereguaçú, terá capacidade para atender a Capital e municípios vizinhos por 40 anos, com previsão de início das operações no mesmo período em que o Dom Antônio Barbosa 2 será desativado, no primeiro semestre de 2028.
“O aterro Ereguaçú terá capacidade estimada para atender a capital e adjacências por quatro décadas, garantindo destinação adequada aos resíduos sólidos urbanos da região”, destaca a concessionária.
O investimento inicial do projeto deve superar R$ 50 milhões, sendo metade do valor destinado às obras de implantação, que começarão após a expedição da licença ambiental.
Estrutura e capacidade do novo aterro
O terreno do Ereguaçú possui 99,51 hectares, dos quais 87,9 hectares serão utilizados para o aterro propriamente dito. Deste total, 55,9 hectares serão destinados à disposição de resíduos, enquanto o restante será ocupado por acessos, canais de drenagem de águas pluviais, diques de contenção, taludes, cinturão verde e edificações de apoio, como guarita, prédio administrativo, vestiários e refeitório.
Segundo a CG Solurb, o aterro terá capacidade total de 20.516.306 m³, comportando aproximadamente 19.832.405 m³ de resíduos, com operação inicial de 1.098 toneladas por dia, projetando-se um aumento para 1.765 toneladas diárias em 2064, considerando 313 dias de trabalho por ano.
O aterro sanitário é um empreendimento de engenharia ambiental, que visa dispor resíduos de forma controlada, cobrindo-os com terra diariamente, reduzindo impactos ambientais e evitando contaminação do solo e das águas subterrâneas.
Histórico e desafios do projeto
O novo aterro de Campo Grande é resultado de um projeto que se arrasta há anos. O tema já havia sido discutido em audiência pública da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) em 2021, mas decisões judiciais e ações civis públicas atrasaram sua implementação.
Um dos entraves judiciais apontava a presença de vegetação de manancial de vereda, classificada como área de proteção permanente, devido a córregos que margeiam a propriedade. A empresa Brasil Empreendimentos Ltda., que havia questionado o licenciamento, desistiu da ação judicial, abrindo caminho para a retomada do projeto.
Enquanto isso, o Dom Antônio Barbosa 2, ativo desde dezembro de 2012, atingirá seu limite de capacidade em 2028. Para ganhar tempo e garantir a continuidade da destinação de resíduos, a Solurb obteve autorização para ampliar temporariamente o aterro existente em 3,5 hectares, após debates em audiências públicas na Câmara Municipal e considerando a proximidade do terreno com a Penitenciária Federal e o Bairro Grande Lageado.
O atual aterro atende não apenas Campo Grande, mas também municípios vizinhos, como Terenos, Rio Negro, Rochedo, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Figueirão e São Gabriel do Oeste, consolidando a importância do novo projeto para a região metropolitana.
Perspectivas e relevância ambiental
O aterro Ereguaçú representa uma solução de longo prazo para a gestão de resíduos sólidos urbanos na Capital, alinhando engenharia ambiental, planejamento urbano e sustentabilidade. Além de ampliar a vida útil da disposição de resíduos, o projeto inclui sistemas de drenagem e proteção ambiental que reduzem impactos em mananciais e áreas sensíveis, respondendo a antigas preocupações de órgãos ambientais e sociedade civil.