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Brasil ainda enfrenta desigualdade social e devastação do meio ambiente

IDS 2010 do IBGE mostra, entretanto, que País evoluiu em indicadores sustentáveis

Entre 2007 e 2009, o número de focos de incêndios florestais e queimadas em todo o País reduziu 63%, caindo drasticamente de um total de 188.656 para 69.702. O percentual de queda foi pouco maior nas áreas de preservação ambiental, parques e terras indígenas, 68,5% (21.538 para 6.783). O Acre ficou entre os estados de a maior redução de queimadas, 93%; seguido por Roraima (85,4%) e Rondônia (84,2%). Sergipe (121,3%) Paraíba (56,6%) e Alagoas (41%) estão na lista dos que mais aumentaram o número de queimadas no mesmo período.  Estima-se que as queimadas sejam responsáveis por grande parte das emissões brasileiras de CO2.

Estes dados constam dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2010 (ver gáfico), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IDS de 2010 dá continuidade à série iniciada em 2002, com edições feitas também em 2004 e 2008. São monitorados 55 indicadores de diversas áreas de impacto ambiental, desenvolvimento sustentável e desigualdades socioeconômicas.

Desmatamento
No que diz respeito ao desmatamento, o IDS mostra diminuição da área atingida, mas com índices ainda elevados na Amazônia Legal – 739.928 quilômetros quadrados de área desmatada em 2009, 14,6%. Estimativas preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram, entretanto, que no ano passado o total da área desmatada no País foi 7.088 quilômetros quadrados; 74,1%  menor do que em 2004.

Desmatamentos e queimadas são responsáveis por 57,9% do total das emissões líquidas (emissões brutas menos remoções) de gases de efeito estufa produzidos pelas atividades humanas em 2005. Segundo dados do IBGE, o ano de 2005 foi um dos mais críticos em termos de desmatamento na Amazônia e queimadas no Brasil.

A agricultura apareceu no IDS 2010 como importante contribuidor para o efeito estufa, com 480 milhões de toneladas de CO2 eq (21%), por causa das contribuições do uso de fertilizantes nitrogenados e de calcário, perdas de matéria orgânica do solo e da emissão de metano em cultivos de arroz inundado. Os dados são do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O IDS 2010 constatou que a quantidade de propriedade rural no País reduziu 5,6% de área total; representando diminuição de 19,9 milhões de hectares, entre 1996 e 2006. As pastagens naturais tiveram redução de 26%, as pastagens plantadas aumentaram 2,7% e as lavouras aumentaram 20,9%. O crescimento das áreas de lavouras e pastagens plantadas sobre as áreas de pastagens naturais representa aumento de produção por unidade de área, o que reduz a pressão sobre o recurso solo, mas, por outro lado, significa o aumento no uso de fertilizantes e agrotóxicos, e dos riscos de contaminação ambiental.

Social
Os dados compilados pelo IDS 2010 revelam melhoria nas condições gerais de vida da população. Persistem, contudo, as desigualdades sociais, regionais e interestaduais. Analise do IBGE das informações coletadas pelo IDS constatam que o Brasil avançou mais na redução das desigualdades de sociais, do que das de cor ou raça para os indicadores de rendimento e educação.

Os aspectos do desenvolvimento social levantados pelo IDS estão depurados em 19 indicadores, que correspondem aos objetivos ligados à satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social. Eles abrangem os temas população; trabalho e rendimento; saúde; educação; habitação e segurança.

Números fornecidos pelo Ministério da Saúde mostram que o Brasil tinha, em 2007, taxa de 25,4 mortes por homicídio a cada cem mil habitantes. Os homens apresentavam uma taxa (47,7) consideravelmente superior à das mulheres (3,9). Houve um incremento de 6,2 óbitos por homicídios por 100 mil habitantes entre 1992 e 2007, mais acentuado para o sexo masculino. Entre 1992 e 2003 o coeficiente cresceu e, a partir de 2004, observa-se uma tendência de queda.

Em 2007, Alagoas (59,5 por cem mil), Espírito Santo (53,3) e Pernambuco (53,0) lideravam na taxa de mortes por homicídios. O estado do Rio de Janeiro ocupava o 4º lugar, tendo conseguido reduzir de 50,8 em 2004 para 41,5 as mortes por homicídios a cada 100 mil habitantes. As menores taxas estavam em Santa Catarina (10,4), Piauí (12,4) e São Paulo, que passou de 28,5 em 2004 para 15,4 por 100 mil em 2007.