Veículos de Comunicação

Oportunidade

Inclusão de Cosan em lista de trabalho escravo é erro, diz Stephanes

O BNDES suspendeu na quinta-feira as operações de financiamentos com o grupo

A inclusão da Cosan em uma lista do Ministério do Trabalho de empresas que tenham mantido trabalhadores em condições análogas ao trabalho escravo foi criticada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, nesta sexta-feira.

Por conta de a empresa, o maior grupo sucroalcooleiro do Brasil, ter sido colocada no cadastro, o BNDES suspendeu na quinta-feira as operações de financiamentos com o grupo. Veja mais em:

"Na minha visão, houve um exagero. E, além de exagero, houve um erro. A Cosan teve um problema há três anos, através de uma empresa terceirizada, de uma fornecedora, e a Cosan tem centenas de fornecedoras", disse o ministro numa coletiva de imprensa sobre a balança comercial do setor agrícola.

"A Cosan, na época, imediatamente resolveu o problema, assumiu, embora o problema não fosse dela, e regularizou", acrescentou o ministro, ao comentar uma operação do Ministério do Trabalho realizada em fazenda no interior de São Paulo, em 2007.

A Cosan afirmou em comunicado, na quinta-feira, que adotará medidas para retirada de seu nome do cadastro.

As ações da Cosan subiam quase 2 por cento nesta sexta-feira, após baixa na sessão anterior, enquanto o Ibovespa operava praticamente estável.

OFERTA DE ETANOL

Sobre o mercado de etanol no Brasil, mais apertado nesta entressafra por conta de chuvas que atingiram a colheita de cana no centro-sul, Stephanes afirmou prever que a oferta só deverá estar regularizada com o início da próxima safra.

"Tivemos um problema conjuntural, em função das chuvas, que será regularizado dentro de 90, 120 dias, porque nós temos matéria-prima suficiente para a moagem para atender todas as nossas necessidades", afirmou.

Além de terem tido uma colheita complicada, com menor conteúdo de sacarose, as usinas elevaram o volume de cana para produção de açúcar, com o objetivo de tirar vantagem dos preços recordes da commoditiy no mercado internacional, em meio à forte demanda da Índia, o maior consumidor mundial.

E agora, em função desse mercado mais apertado, o governo avalia alterar a mistura de etanol anidro na gasolina, atualmente em 25 por cento, assunto que o ministro evitou nesta sexta-feira, após indicar que alguma alteração poderá ocorrer nos próximos dias. A decisão deve ser tomada na segunda-feira.

A indústria, por outro lado, vê qualquer mudança na mistura como ineficaz.

Stephanes reafirmou que a próxima safra deverá ser grande, contando com cerca de 60 milhões de toneladas de cana da atual temporada que vai se somar à produção deste ano.

"Então temos matéria-prima suficiente para a próxima safra para atender tanto as necessidades do mercado interno e também as necessidade de exportação de açúcar, que são crescentes, como eventualmente da recuperação da exportação de etanol."