O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu ontem, em discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram um "complô" dos Estados Unidos, provocando a saída imediata das delegações americana, britânica e da União Europeia da sala.
Ao mencionar uma de suas três teorias sobre os ataques terroristas, Ahmadinejad disse que setores no governo americano planejaram o atentado para reverter a queda na economia americana e no seu controle sobre o Oriente Médio, além de querer salvar o regime "sionista" (maneira pejorativa de se referir a Israel).
– A maior parte do povo americano e outros países e políticos concordam com este ponto de vista.
Citando uma segunda teoria, o presidente iraniano disse que o atentado "foi realizado por um grupo terrorista, mas com o apoio do governo americano”, que tirou vantagem da situação, segundo ele.
A terceira hipótese de Ahmadinejad é a de que "um grupo terrorista muito poderoso e complexo, capaz de enganar todas as camadas dos sistemas de inteligência e de segurança" dos EUA, realizou o atentado.
As declarações de Ahmadinejad provocaram a imediata saída das delegações americana, britânica e da União Europeia do plenário.
Os EUA qualificaram as palavras do presidente iraniano de "detestáveis e delirantes", segundo destacou Mark Kornblau, porta-voz da delegação americana.
– Antes de representar as aspirações e a boa vontade do povo iraniano, Ahmadinejad decidiu, novamente, tagarelar sobre teorias de complô vis e usar palavras antissemitas, que são detestáveis e delirantes.
Um diplomata europeu explicou que as delegações europeias abandonaram a sala em solidariedade aos EUA.