
A implantação do contorno rodoviário de Três Lagoas já provoca mudanças no Cinturão Verde, região tradicionalmente conhecida pela produção de hortaliças e pelo trabalho de pequenos produtores rurais. Ao todo, 17 famílias que viviam em lotes na área precisaram desocupar os terrenos após a desapropriação necessária para a execução da obra, que tem como objetivo retirar o tráfego pesado de caminhões da avenida Ranulpho Marques Leal.
De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), todas as famílias que tiveram as áreas afetadas foram devidamente indenizadas. As residências já foram desocupadas e demolidas.
Com a saída dos moradores, algumas construções chegaram a ficar abandonadas e passaram a ser utilizadas por usuários de drogas, o que gerou preocupação na região. Diante disso, o Dnit realizou a demolição das edificações remanescentes como medida preventiva, visando evitar novos problemas e garantir a segurança do local.
Apesar das desapropriações, nem todos os produtores do Cinturão Verde foram impactados diretamente pela obra. Alguns lotes permanecem fora do traçado do contorno rodoviário e seguem com a produção normalmente. É o caso da produtora Edna Aparecida Sato, que mantém a atividade agrícola e comercializa os produtos cultivados na região.
Segundo ela, o local onde trabalha não será atingido pelas intervenções. A produção inclui hortaliças como alface, além de quiabo, ovos caipiras e outros itens. Para facilitar a venda, Edna montou uma banca em frente ao lote, na rua Egídio Tomé, via de acesso ao bairro Jupiá e ponto de grande circulação de veículos e moradores. A iniciativa, segundo a produtora, faz parte de um projeto planejado há anos e que prevê, inclusive, a ampliação da horta no local.
Outro morador do Cinturão Verde é Eduardo Gomes de Souza, que vive na região há mais de duas décadas. O lote dele também não será afetado pelo contorno rodoviário. Ele conta que precisou interromper a produção após sofrer um AVC no ano passado, mas mantém a área preparada para retomar o plantio assim que possível. Mesmo com as dificuldades de saúde e o período de seca, Eduardo afirma que pretende voltar a produzir.
Enquanto as obras avançam, o cenário no Cinturão Verde passa por transformações. Ao mesmo tempo em que famílias deixam a área e estruturas são demolidas, parte dos produtores resiste e mantém viva a atividade agrícola, preservando a tradição produtiva da região mesmo diante das mudanças impostas pelo desenvolvimento urbano.