
Uma nova mutação do vírus Influenza A (H3N2), conhecida como Gripe K, passou a circular no Brasil desde o fim de 2025 e segue sob monitoramento das autoridades de saúde. Até o momento, não há registro de aumento expressivo de casos graves ou internações, mas a preocupação está na rapidez com que a variante se espalha.
Em Três Lagoas, até a publicação desta reportagem, havia apenas um caso confirmado da Gripe K. Mesmo assim, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde acompanha de forma contínua a evolução do vírus, justamente pelo risco de disseminação acelerada e pelo impacto que um aumento súbito de casos pode causar nos serviços de saúde.
A enfermeira Cleina Passalacqua, da Vigilância Epidemiológica do município, explica que o surgimento de novas variantes é esperado no ciclo dos vírus respiratórios. Segundo ela, as mutações funcionam como uma estratégia de adaptação frente à imunidade da população.
“O que chama a atenção nessa variante é a maior capacidade de transmissão em relação ao H3N2 original. Isso favorece a circulação rápida do vírus, mesmo sem aumento proporcional da gravidade dos casos”, afirma.
Esse comportamento tem reflexos diretos no sistema de saúde.
“Quando muitas pessoas adoecem em um curto período, cresce a procura por atendimento e a sobrecarga das unidades, ainda que a maioria dos quadros seja leve”, destaca.
Outro ponto observado, com base em dados internacionais, é a duração mais prolongada dos sintomas em alguns pacientes infectados pela nova variante. Apesar de semelhantes aos da gripe comum, esses sintomas podem persistir por mais dias, ampliando o período de transmissão e o risco de complicações.
A recomendação é de atenção especial a idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e imunossuprimidos, considerados mais vulneráveis.
“Quanto maior o tempo de sintomas, maior o risco de agravamento nesses grupos”, alerta Cleina.
A Vigilância Epidemiológica reforça que as medidas preventivas continuam sendo fundamentais: uso de máscara em caso de sintomas, higienização frequente das mãos e evitar contato próximo com outras pessoas enquanto estiver gripado.
“São cuidados simples, mas eficazes para reduzir a transmissão e proteger a população”, conclui.