
Mulheres e brigadistas da aldeia Alves de Barros, no território indígena Kadiwéu, participaram de uma capacitação em identificação, coleta e armazenamento de sementes nativas no Pantanal sul-mato-grossense, em Porto Murtinho. A iniciativa ocorre em um contexto de agravamento da escassez de água, que já impacta diretamente o cotidiano da comunidade.
O desmatamento em áreas de nascente ao redor do território compromete o fluxo hídrico e acelera o assoreamento, fazendo com que a água das chuvas escoe rapidamente e falte nos períodos de estiagem. Segundo os organizadores, a restauração ecológica é vista como estratégia central para fortalecer a segurança hídrica e recuperar áreas degradadas.
Durante a formação, os participantes aprenderam técnicas para reconhecer árvores matrizes, coletar sementes no período adequado e realizar o armazenamento correto, respeitando os ciclos naturais da vegetação pantaneira. A atividade foi conduzida por especialistas da área ambiental e dialogou com os saberes tradicionais já presentes na comunidade.
Moradora da aldeia, Elen Rocha afirma que a oficina ampliou sua percepção sobre o valor das sementes nativas. “A gente cuida da terra e aprende que isso também pode gerar renda, sem destruir o território”, diz.

Brigadistas Indígenas e a Recuperação de Áreas Degradadas
Entre os brigadistas indígenas, o aprendizado se soma ao trabalho permanente de prevenção de incêndios, monitoramento ambiental e recuperação de áreas degradadas. De acordo com os participantes, a formação reforça práticas que já fazem parte da relação cotidiana com a terra e amplia as possibilidades de atuação futura.
A ação integra o projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, desenvolvido pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. A iniciativa busca fortalecer a governança comunitária, valorizar o protagonismo feminino e promover a resiliência climática no território indígena.
