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AGROPECUÁRIA

Gripe aviária ameaça expansão da avicultura em 2026 e preocupa MS, diz Cepea

Setor avícola brasileiro tem projeção de crescimento, mas vigilância sanitária rigorosa é fundamental para evitar novos bloqueios.

Cepea estima crescimento da avicultura em 2026. - Foto: Divulgação
Cepea estima crescimento da avicultura em 2026. - Foto: Divulgação

Apesar das projeções de crescimento da produção e das exportações de carne de frango no Brasil em 2026, a gripe aviária surge como o principal risco sanitário para a avicultura no país. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP) apontam que, embora as perspectivas do setor permaneçam positivas, o desempenho esperado depende crucialmente da prevenção de novos focos da doença.

Segundo o Cepea, o Brasil deve registrar aumento de cerca de 3,8% na produção de frango, totalizando aproximadamente 14,73 milhões de toneladas em 2026, e crescimento de 2,4% nas exportações, sustentado pela demanda global. Ainda assim, o instituto destaca que esses resultados só serão alcançados com controle sanitário rigoroso e monitoramento contínuo da influenza aviária, sobretudo da cepa altamente patogênica H5N1, que provoca preocupação internacional.

Histórico recente no Brasil e impacto comercial

Em maio de 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um surto de influenza aviária altamente patogênica em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, um dos principais polos de produção avícola do país. Em decorrência desse episódio, diversos países, incluindo China, México, Japão e outros mercados importantes, suspenderam temporariamente as importações de carne de frango brasileira, impactando o comércio internacional.

Na sequência, algumas restrições foram flexibilizadas por importadores que consideraram medidas sanitárias eficazes e a eliminação do foco em determinadas regiões. Ainda assim, a dimensão desses bloqueios expôs a vulnerabilidade do setor diante de surtos e reforçou a necessidade de vigilância constante.

Mato Grosso do Sul e a importância da biossegurança

Em Mato Grosso do Sul, um dos principais estados avícolas do Centro-Oeste brasileiro, a gripe aviária é acompanhada com especial atenção pelo setor produtivo e por órgãos de defesa agropecuária. Conforme dados oficiais, a região integra uma área de importante produção de aves e ovos, com presença de rotas migratórias de aves selvagens que podem atuar como reservatórios naturais do vírus da influenza aviária.

Embora não tenham sido registrados focos de gripe aviária em granjas comerciais no estado, autoridades locais reforçam a adoção de protocolos rigorosos de biossegurança, incluindo inspeções frequentes, barreiras sanitárias e monitoramento clínico constante dos rebanhos. Essas medidas são fundamentais para conter a propagação da doença, que, embora pouco frequente em aves domésticas no Centro-Oeste, tem ligação direta com a migração de aves silvestres e com surtos registrados recentemente em outras partes do mundo.

Desafios e recomendações

Essas medidas são consideradas essenciais para prevenir a disseminação do vírus H5N1, que, embora raro em aves domésticas no Centro-Oeste, pode se propagar por meio do contato com aves migratórias ou silvestres, especialmente diante de surtos recentes registrados em outras regiões do mundo

O presidente de uma associação de produtores de Mato Grosso do Sul destaca que a manutenção de elevados padrões de biossegurança não só protege a saúde animal, mas preserva também a competitividade das exportações, um fator decisivo em um cenário global em que mercados exigem comprovantes sanitários rigorosos para manter relações comerciais abertas.

*Com informações da cepea.org.br