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Maracaju

Cesp rompe contrato de hidrelétrica cara com Camargo Corrêa

Orçado em R$ 1,4 bilhão, o empreendimento foi concluído com custo superior a R$ 10 bilhões

O contrato entre Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e a empreiteira Camargo Corrêa para a construção da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, iniciado há mais de 30 anos, chegará ao fim no próximo dia 31. A usina fica no município paulista de Rosana (748 km de São Paulo), no extremo oeste do Estado — na divisa com Mato Grosso do Sul e sobre o rio Paraná.

Porto Primavera figura entre os projetos hidrelétricos mais caros do mundo. Orçado em R$ 1,4 bilhão, o empreendimento foi concluído com custo superior a R$ 10 bilhões. Graças, sobretudo, a várias paralisações das obras. Até hoje, a usina não está concluída.

Depois de 15 aditivos ao longo de mais de três décadas, a estatal paulista decidiu fazer uma nova licitação para as obras remanescentes na região da bacia do rio Paraná, onde está a usina, batizada em 1999 –quando foi finalmente inaugurada– de Engenheiro Sérgio Motta.

A Cesp não deu detalhes sobre quando deverá fazer nova concorrência. Por anos, a Camargo Corrêa foi a principal empreiteira contratada para a construção da usina e da eclusa de Porto Primavera.

Foi dela também a tarefa de executar obras complementares às da barragem –principalmente aquelas de contenção de encostas em municípios afetados com a elevação do nível do rio Paraná, após do enchimento do reservatório da usina.

Essas construções ainda não foram concluídas, apesar de a usina já ter completado mais de 12 anos após o início da operação. Ações judiciais ainda impõem à Cesp obras em vários municípios, entre os quais Presidente Epitácio e Panorama, ambos em São Paulo, e Anaurilândia, no Mato Grosso do Sul.

Para a Cesp, a decisão não se configura rompimento de contrato. Outra licitação para obras de proteção de encostas, previstas nos estudos de impacto ambiental e previstas em ações judiciais, será feita pela estatal.

A Camargo Corrêa, por meio da assessoria de comunicação, informou que houve o "fim do escopo" do contrato –ou seja, que já concluiu as obras que foram contratadas pela Cesp para fazer. Afirmou ainda que os 80 funcionários alocados na região serão remanejados para outros locais. A empresa não especificou quais.