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Maracaju

Esquema em Nova Andradina pode ter desviado mais de R$ 600 mil da Saúde

Cavalcante: Desvios na Saúde chegavam a R$ 25 mil por mês

Reginaldo Cavalcante foi o primeiro a prestar depoimento à CPI -
Reginaldo Cavalcante foi o primeiro a prestar depoimento à CPI -

Autor das denúncias que apontam a participação de secretários municipais no suposto esquema de corrupção que desviava dinheiro do Fundo Municipal de Saúde, Reginaldo Fernandes Cavalcante, afirmou nesta quarta-feira (14), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que o esquema de corrupção faturava por mês aproximadamente R$ 25 mil.
 
De acordo com o servidor público (atualmente afastado do quadro de funcionários da Prefeitura), o esquema foi iniciado em 2009, no primeiro ano da administração do prefeito Gilberto Garcia (PMDB), por determinação do secretário de Administração Umberto Canesque Filho e do ex-vereador Tito José, que ainda não respondia pela Saúde.
 
As acusações envolvem diretamente dois membros do primeiro escalão do diretório municipal do PSDB de Nova Andradina, Tito José (presidente) e Umberto Canesque Filho (secretário). "O atual secretário de Saúde ainda não respondia pela pasta, estava sendo criada a secretaria de Tecnologia [também comandada por Tito], mas na época ele já vinha falando que o cargo que ele ia assumir era o de secretário de Saúde", disse Cavalcante.
 
Em dois anos e meio, o esquema pode ter desviado do Fundo Municipal de Saúde de Nova Andradina mais de R$ 600 mil. Reginaldo Fernandes afirmou que quando os desvios foram iniciados, não foi estipulada a porcentagem que receberia. "Variava de 10% a 30%, não tinha valor fixo", comenta.

Reginaldo Fernandes Cavalcante é concursado e exerceu outros cargos dentro da Prefeitura. Ele disse que foi convidado pelos dois secretários para participar do esquema, devido à função de Gestor que ocupava dentro da área de Contabilidade e Finanças, lotado na secretaria de Saúde.
 
Segundo ele, Tito José e Umberto Canesque Filho o orientavam para que o assunto não fosse tratado por telefone, temendo que algo pudesse ser descoberto. "Os secretários me procuraram e disseram: se você não fizer isso, a gente vai ter trabalho, mas vamos conseguir outra pessoa para fazer e você vai voltar para o seu cargo do concurso", relembra.

O servidor municipal afirmou também que possui duas testemunhas que poderiam provar a participação dos secretários. Em seu depoimento, Cavalcante citou ainda o secretário de Planejamento e Finanças, Walter Fernandes, que teria testemunhado, segundo Reginaldo, o advogado da prefeitura Gustavo Pagliarini entregando ao servidor público uma declaração em que assumia sozinho a responsabilidade pelos desvios.
 
A CPI da Saúde deve voltar a se reunir em janeiro de 2012, devido o recesso parlamentar da Câmara que começa nesta quinta-feira (15). Segundo o presidente Comissão Parlamentar de Inquérito, vereador Glauco Lourenço (PMDB), Reginaldo Fernandes poderá ser convocado novamente, após a CPI colher o depoimento de mais pessoas.