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Campo Grande, 14 de julho

Mais de 70 carretas com diesel esperam no Paraná liberação da fronteira em MS

Sem o ir e vir liberado, o comércio de Corumbá amarga prejuízos de R$ 400 mil/dia

Por Rodolfo Cesar/Thaís Cintra
11/11/2021 • 19h00
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Cerca de 70 caminhões carreta de diesel estão parados no Porto de Paranaguá (PR), devido ao bloqueio da fronteira do Brasil com a Bolívia, nas cidades de Puerto Quijarro e Corumbá. Fechada há quatro dias, a passagem entre os países tem causado diversos prejuízos econômicos para ambos os lados. O combustível só será enviado ao país quando o trânsito entre os territórios for liberado. 

O correspondente da CBN Campo Grande em Corumbá, Rodolfo César, acompanha a situação de perto. Segundo apurado, mais de 100 caminhões estão parados do lado boliviano esperando para seguir viagem. “Esses veículos estão carregados com borato, gás liquefeito, minérios, sucata. Apenas uma empresa, a Ruffato, tem cerca de 40 caminhões presos no lado boliviano”, explica. 

Sem o ir e vir liberado, o comércio de Corumbá amarga prejuízos. Com desvalorização do real frente ao dólar nos últimos anos, a moeda brasileira perdeu força frente ao peso boliviano criando uma mudança de consumo na região. Os bolivianos ganharam mais peso no comércio da Cidade Branca e representam cerca de 40% do público consumidor. 

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De acordo com estimativas da Associação Comercial de Corumbá, o comércio pede cerca de R$ 400 mil por dia. Nenhuma transportadora brasileira se posicionou sobre a situação e a Associação de Transportadores de Cargas Internacionais, também preferiu não se posicionar.

Ainda conforme o correspondente, a Câmara Municipal de Corumbá acionou a senadora Káta Abreu, presidente da Comissão de Relações Internacionais do Senado, que trata desses assuntos, para saber quais ações serão realizadas diante à situação. A assessoria de comunicação da parlamentar informou que a mesma está em viagem a Portugal e que só retorna na próxima semana. 

Motivos da paralisação 

A manifestação que ocorre na Bolívia é organizada por Comitês Cívicos, que envolvem categorias como transportistas, empresários, comerciantes, entre outros. Eles são contrários à promulgação da Lei 1386, denominada pelo governo de Luís Arce (MAS) como Estratégia Nacional Contra a Legitimação de Ganhos Ilícitos. Os comitês cívicos sustentam que essa legislação permite que a Unidade de Investigações Financeiras possa abrir procedimentos contra qualquer cidadão a partir de movimentações bancárias e financeiras consideradas suspeitas e realizar bloqueio de bens e recursos antes de julgamento definitivo.

Alguns desses veículos chegaram na área fronteiriça entre quinta-feira e sexta-feira da semana passada e não conseguiram atravessar para o Brasil por conta da fila de caminhões que existe devido ao grande fluxo de tráfego. O sistema fluvial está paralisado na Bolívia desde a segunda quinzena de setembro, com isso o transporte de cargas ficou todo direcionado para o modal rodoviário.

Da média de 800 caminhões diários que cruzam o Posto Esdras, da Receita Federal, esse total pelo menos duplicou a desde de outubro. Com isso, a espera para atravessar a fronteira chegou a ficar de 24h ou mais. A Receita Federal funciona das 8h às 17h, de segunda a sexta. Com esses delimitadores, veículos que não conseguiram chegar no Brasil antes de segunda-feira (8) estão parados por tempo indeterminado do lado da Bolívia.

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